
"A política tem dessas coisas". A frase, repetida ao longo dos anos para justificar os movimentos por vezes incompreensíveis do cenário político, cabe perfeitamente ao episódio ocorrido na última terça-feira, 18, na Câmara de Vereadores de Barreiras. Durante a sessão, a vereadora Graça Melo leu o pedido do vereador 'BI Aires', solicitando a requalificação e cobertura da 'Feirinha da Vila Rica', uma das maiores e mais importantes da cidade.
O pedido, em si, não deveria causar surpresa, afinal, trata-se de uma demanda legítima dos feirantes e consumidores. Contudo, quando se coloca esse requerimento sob a "lupa da história política" recente de Barreiras, a situação ganha contornos reveladores.

Leitores do 40 Graus em contato com o blog, que não quiseram se identificar, afirmaram que a cobertura da Feira da Vila Rica já foi promessa do ex-prefeito Zito Barbosa, um compromisso assumido publicamente, mas que jamais se concretizou, pois houve apenas uma requaliicação do solo durante oito anos de mandato - se foi promessa, não foi cumprida.

O resultado é que, até hoje, os feirantes enfrentam condições insalubres de trabalho, agravadas pelo período de chuvas. No inverno, a situação se torna ainda mais precária, expondo trabalhadores e clientes a intempéries e dificultando a comercialização dos produtos.
O que chama a atenção no pedido do vereador Bi Aires é o 'timing político'. A solicitação vem em um momento em que o prefeito Otoniel Teixeira, sucessor de Zito e seu aliado, impõe aumentos significativos nas taxas e impostos cobrados dos trabalhadores ambulantes.
A lógica política parece clara: se há aumento de impostos e taxas, é necessário oferecer alguma contrapartida, ainda que tardia. Afinal, não se justifica cobrar mais do cidadão sem oferecer melhorias em infraestrutura e serviços. E, se o pedido parte de um vereador da base governista (BI), as chances de que a solicitação seja atendida aumentam exponencialmente. - A política tem dessas coisas.
Imagem durante o inverno:
No entanto, há um fator determinante nesse jogo: a mobilização popular. Enquanto os trabalhadores da feira aceitarem passivamente as condições precárias, enquanto não houver protestos ou reivindicações organizadas, a única certeza é que continuarão pagando mais sem ver melhorias concretas. A experiência ensina que, na política, demandas populares só se tornam prioridade quando se transformam em pressão social.

Essa é uma das “heranças” que Otoniel Teixeira herdou do governo Zito Barbosa. Resta saber se ele pretende apenas administrar o legado ou se terá a coragem política de romper com práticas desgastadas e atender, de fato, às necessidades do povo. A Feira da Vila Rica, seus feirantes e clientes aguardam a resposta.
Da Redação do 40 Graus.