
A delegada federal Denisse Ribeiro enviou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a conclusão do inquérito sobre o vazamento de uma investigação de ataque hacker ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Denisse reafirma no relatório encaminhado na tarde desta segunda-feira (31) ter visto crime na atuação de Jair Bolsonaro, do deputado Filipe Barros (PSL-PR) e do ajudante de ordens presidencial Mauro Cid no caso e diz que a ausência do presidente no depoimento na última sexta (28) não trouxe prejuízo aos esclarecimentos dos fatos.
O presidente da República faltou à oitiva que havia sido marcada por Moraes. A AGU (Advocacia-Geral da União) chegou a entrar com um recurso para desobrigá-lo a comparecer, o que foi negado minutos depois pelo ministro.
Em uma declaração que enviou à PF na própria sexta-feira, Bolsonaro alegou que exerceu seu "direito de ausência" e disse que sua posição encontra respaldo em decisão do Supremo.
Com esse documento da polícia, o imbróglio envolvendo o depoimento de Bolsonaro deve chegar ao fim. Moraes deve enviar a conclusão da delegada para a PGR (Procuradoria-Geral da União) se manifestar e, depois, tomar uma decisão a respeito, se abre ou não uma ação penal contra o presidente. Não há prazo para término dessas próximas fases.
O inquérito em questão apurava a divulgação de uma investigação sigilosa aberta em 2018 sobre um ataque hacker no sistema do TSE. Os documentos do caso foram usados em uma live realizada pelo presidente no dia 4 de agosto do ano passado.
O material foi mostrado ao vivo por Bolsonaro e para embasar o discurso, sem provas, de que há vulnerabilidade nas urnas eletrônicas e que as eleições de 2018 teriam sido fraudadas.