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Mercado do etanol sofre baixa e gasolina ganha espaço com ICMS menor

A implementação do teto do ICMS nos estados e a isenção dos impostos federais sobre o preço dos combustíveis pode ter tornado os cenários da gasolina e do etanol mais dinâmicos e competitivos

F. Silva
Por: F. Silva Fonte: Portal do Agronegócio
31/10/2022 às 09h40
Mercado do etanol sofre baixa e gasolina ganha espaço com ICMS menor

De acordo com as projeções da StoneX, em São Paulo, a mudança nas alíquotas, de 25% para 17% a 18%, favoreceu o crescimento de fósseis, o que proporcionou uma paridade acima de 70% em grande parte do Centro-Sul.

A análise da consultoria simula o comportamento de consumo de Ciclo Otto para o último trimestre de 2022.

Com a redução nos valores cobrados nas bombas, a demanda por gasolina demonstrou resultado positivo no primeiro semestre deste ano e deve se manter estável na segunda metade.

Outro fator apontado é a baixa elasticidade de valores dos combustíveis fósseis, que significa que os preços, mesmo que altos, têm pouco impacto no consumo.

A StoneX estima um consumo total de hidratado de 15,13 mi de m³, em 2022, queda de 0,7% em relação a 2021.

"Com isso, o share de hidratado no consumo de Ciclo Otto apresentaria uma queda de 1,3 pontos percentuais, fechando em 26,4%", destaca a consultoria.

No primeiro semestre de 2022, a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustível (ANP) registrou que as vendas de gasolina comum totalizaram 19,7 milhões de m³. O número indica crescimento de 10,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Quanto ao etanol, houve redução na demanda pelo biocombustível. No primeiro semestre de 2022, as vendas de etanol totalizaram 7,7 milhões de m³, simbolizando queda de 15,7% em comparação com o mesmo período de 2021.

A queda do renovável no mercado está relacionada à escalada que os preços do hidratado registraram em razão da diminuição da oferta com a quebra precoce da safra de cana-de-açúcar em 2021.

"Desde novembro/21, quando já não havia mais moagem no Centro-Sul, até o início do novo ciclo canavieiro, os preços do etanol entraram numa escalada que provocou recordes históricos para o biocombustível", explica a StoneX.

O cenário de oferta baixa fez com que as vendas do biocombustível ficassem prejudicadas e os altos preços resultaram na perda de competitividade do álcool frente ao seu equivalente fóssil.

"Desde o final de junho, o mercado foi marcado por uma queda expressiva dos preços da gasolina C ao consumidor final, motivado tanto pela diminuição das alíquotas estaduais (...) como também por uma deterioração dos preços de venda da Petrobras às distribuidoras".

Ao antessala, live semanal da epbr, a consultora em gerenciamento de risco da StoneX, Ligia Heise, ressaltou que a expectativa para o ano que vem é que o mix seja mais açucareiro e ainda pouco competitivo ao etanol.

"Devemos entrar num ano de superávit de açúcar. Com a safra da cana aumentando, a oferta de etanol no mercado interno tende a aumentar", afirmou.

Do Agro.

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