
O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Mauricio Kertzman Szporer, determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, após denúncias de redução da frota de ônibus durante o segundo turno das eleições de 2026.
O secretário está em Paris, na França, em uma comitiva oficial da Prefeitura, ao lado da vice-prefeita Ana Paula Matos. Caso a decisão seja mantida, ele poderá ser preso ao retornar ao Brasil. O cumprimento da ordem no exterior depende de articulação entre as autoridades dos dois países.
A representação foi apresentada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, que apontou uma redução superior a 50% na oferta habitual de transporte coletivo. A entidade pediu a prisão do secretário, a liberação dos veículos retidos e a oferta de transporte gratuito durante o período eleitoral.
O TRE-BA determinou o restabelecimento de 100% da frota, com gratuidade, e fixou multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento, aplicada solidariamente ao município, ao secretário e às concessionárias.
Durante fiscalizações, o Ministério Público Eleitoral identificou 97 ônibus parados em uma garagem e outros 120 fora de circulação em outra. Já o Procon-BA encontrou 55 veículos aptos a operar, mas estacionados na garagem da empresa OT Trans, que foi autuada.
Antes da decisão, Pablo Souza reconheceu problemas na operação e pediu desculpas à população. Ele atribuiu os atrasos à adesivação de ônibus por apoiadores de um candidato, que, segundo o secretário, configuraria propaganda eleitoral irregular em patrimônio público.
Após a repercussão, a Prefeitura de Salvador informou que a Secretaria Municipal de Mobilidade determinou a saída da frota máxima, inclusive dos veículos adesivados. A gestão afirmou que a prioridade era normalizar o serviço e garantir o atendimento aos eleitores.