22°C 40°C
Barreiras, BA
Publicidade

Rodrigo Constantino provoca reação nacional após chamar Bahia de “câncer do Brasil”

Declarações sobre o resultado eleitoral de 2026 geram reação de autoridades, investigação e notícia-crime apresentada pela OAB-BA; comentarista já acumula histórico de controvérsias.

F. Silva
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Metro1
08/10/2026 às 09h48
Rodrigo Constantino provoca reação nacional após chamar Bahia de “câncer do Brasil”

O economista, escritor e comentarista político Rodrigo Constantino voltou ao centro de uma forte polêmica após declarações contra a Bahia e os baianos depois do primeiro turno das eleições de 2026.

Em vídeo publicado em 4 de outubro, Constantino afirmou que “a Bahia é o câncer do Brasil”, chamou Salvador de “lixo” e fez generalizações sobre a população baiana.

As declarações provocaram reação de autoridades, levaram a Polícia Civil a abrir apuração e motivaram uma notícia-crime apresentada pela OAB-BA à Polícia Federal.

Da economia à política

Nascido no Rio de Janeiro, em 1976, Constantino é formado em Economia pela PUC-Rio e possui MBA em Finanças pelo IBMEC.

Ele atuou no mercado financeiro entre 1997 e 2013. Também foi um dos fundadores do Instituto Millenium e presidiu o Conselho do Instituto Liberal.

Na imprensa, passou por veículos como Veja, O Globo, Valor Econômico, IstoÉ, Jovem Pan e Record.

Em artigo publicado pela Jovem Pan, definiu-se como “um liberal com viés conservador”, defendendo o livre mercado, um Estado limitado e valores tradicionais.

Aproximação com o conservadorismo

A mudança em seu posicionamento político também aparece em seus livros.

Entre as obras publicadas estão Esquerda Caviar, Contra a Maré Vermelha, Brasileiro é Otário?, Confissões de um Ex-Libertário, Pensadores da Liberdade, O Mínimo sobre Economia, Judeofobia e Autobiografia de um Guerreiro da Liberdade.

Em Confissões de um Ex-Libertário, Constantino relata seu afastamento do libertarianismo e sua aproximação com ideias conservadoras.

Na autobiografia, também aborda sua passagem pelo mercado financeiro, a relação profissional com Paulo Guedes e os conflitos que manteve com Olavo de Carvalho.

Histórico de controvérsias

A trajetória de Constantino também é marcada por episódios que ultrapassaram o debate ideológico.

Em 2020, ao comentar o caso Mariana Ferrer, afirmou que, se uma filha sua relatasse ter sido estuprada em circunstâncias semelhantes, ele não denunciaria o homem e a colocaria de castigo, dizendo que ela teria “errado feio”.

A declaração provocou sua demissão da Jovem Pan e, no dia seguinte, da Record. A Rádio Guaíba e o Correio do Povo também anunciaram seu desligamento.

Dois meses depois, ele retornou temporariamente à Jovem Pan para cobrir férias de outros comentaristas.

Outras disputas

Constantino também foi condenado, em primeira instância, a indenizar o ator Fábio Assunção por danos morais, após relacionar a dependência química do artista às suas posições políticas.

Em 2021, foi criticado por comentar uma imagem manipulada envolvendo Gabriela Prioli.

Já em 2023, suas manifestações apareceram no contexto de uma investigação do Ministério Público Federal sobre conteúdos veiculados pela Jovem Pan, considerados desinformativos e relacionados a possíveis incentivos a ações antidemocráticas após os ataques de 8 de janeiro.

Antes da atual controvérsia, uma manifestação atribuída a Constantino sobre a Bahia também chegou ao MPF, em 2022. O procedimento, porém, foi arquivado.

Nova crise após ataque à Bahia

Agora, a declaração sobre a Bahia acrescenta mais um capítulo ao histórico de controvérsias do comentarista.

Ao criticar o resultado eleitoral no estado, Constantino afirmou que “ninguém quer trabalhar” e classificou os baianos, **“com todas as boas exceções”, como uma “vergonha para o Brasil”.

A OAB-BA pediu à Polícia Federal que investigue as declarações por possível discriminação contra a população baiana.

O Ministério Público da Bahia informou que as provas foram preservadas e avalia qual esfera deverá conduzir o caso.

Após a repercussão, Constantino apresentou retratação e afirmou que a expressão “câncer do Brasil” fazia referência ao peso eleitoral da Bahia para o PT, e não à população do estado.

O episódio, entretanto, ampliou a pressão sobre o comentarista e reacendeu o debate sobre os limites do discurso político, da crítica eleitoral e de manifestações que podem atingir coletivamente uma população.

Da Redação...
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários