
Fiji declarou emergência nacional por HIV nesta quarta-feira (16), diante do forte avanço das infecções no país. A estimativa oficial aponta que 1 em cada 60 adultos vive atualmente com o vírus, contra 1 em cada 167 há cinco anos.
O aumento colocou o arquipélago entre os países que registram uma das mais acentuadas altas de novas infecções. Segundo a UNAIDS, os novos casos cresceram 12 vezes entre 2010 e 2025.
O ministro da Saúde, Atonio Lalabalavu, afirmou que a situação exige uma resposta coordenada de todo o governo.
“Declaro formalmente emergência nacional por HIV. A decisão reconhece a gravidade da epidemia e a urgência de uma resposta coordenada.”
Entre os casos em que foi possível identificar a forma de transmissão, mais da metade está relacionada ao contato sexual, enquanto mais de 42% estão associados ao uso de drogas injetáveis.
A situação também preocupa pelas consequências entre gestantes e crianças. Cerca de 2 em cada 100 mulheres grávidas vivem com HIV. Em 2025, 59 bebês nasceram com o vírus, e 18 morreram antes de completar 1 ano.
A UNAIDS estima que aproximadamente 9.100 pessoas viviam com HIV em Fiji em 2025. Apenas 39% sabiam que tinham o vírus, enquanto 22% recebiam tratamento antirretroviral.
Para conter a epidemia, o governo anunciou a ampliação de testes gratuitos, medicamentos de prevenção, incluindo a PrEP, tratamento e medidas de redução de danos para pessoas que usam drogas injetáveis.
Também está prevista a implantação de um programa de distribuição de seringas e agulhas, além da criação de um comitê ministerial para acelerar as ações contra a crise de saúde pública.
O governo e a ONU também reforçaram a necessidade de combater o estigma contra pessoas que vivem com HIV. A declaração de emergência, segundo a UNAIDS, deve servir para ampliar a prevenção, o diagnóstico e o acesso ao tratamento.
Observação editorial: mantive o dado de 59 bebês e 18 mortes, confirmado por fontes internacionais e pela AFP, mas evitei cravar “2.106” como dado incontestável porque há divergência nas reportagens recentes; Reuters, AP e outras fontes registram 2.016 novos diagnósticos em 2025.
Da redação do 40 Graus.