
O animal, chamado Precioso, foi apresentado como se fosse gestor municipal. A equipe da reportagem negociou com a União Brasileira de Divulgação (UBD) e conseguiu comprar uma homenagem por R$ 1.480.
Depois do pagamento, o jumento recebeu diploma e medalha e foi incluído na lista dos “100 melhores prefeitos do Brasil”. A experiência serviu para questionar a existência de critérios rigorosos para a escolha dos homenageados.
Segundo a investigação, empresas como a UBD e o Instituto Tiradentes promoviam eventos e ofereciam diplomas e medalhas com títulos como “Gestor Nota 10”, “melhor prefeito” e “vereador mais atuante”.
A reportagem mostrou que, em determinados casos, políticos participavam dos eventos utilizando recursos públicos, inclusive para pagar inscrições, diárias, hospedagem e transporte.
Após a reportagem, o Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) anunciou a apuração de gastos de prefeituras e câmaras municipais com esse tipo de homenagem.
Um levantamento preliminar apontou que 26 prefeituras e 30 câmaras baianas haviam realizado pagamentos relacionados às premiações em 2017 e 2018, totalizando cerca de R$ 92,9 mil.
O caso de Precioso expôs, de forma inusitada, o questionamento central da reportagem: até que ponto essas homenagens representavam um reconhecimento real da gestão pública — ou simplesmente uma premiação adquirida mediante pagamento?
A investigação de Giovani Grizotti colocou em xeque a credibilidade desse mercado de diplomas e medalhas para agentes públicos e provocou apurações por órgãos de controle.
Da Redação...