
Salvador — Representantes de quatro das principais federações empresariais da Bahia se mobilizaram nesta segunda-feira (31), para pressionar pelo adiamento da votação da PEC que prevê o fim da escala 6x1 e mudanças na jornada de trabalho.
O posicionamento foi apresentado em coletiva na sede do Sebrae, em Salvador, e reuniu dirigentes da Fecomércio-BA, FIEB, Faeb e Fetrabase. A mobilização faz parte da campanha nacional “Agora, Não!”, lançada pela CNC.
As entidades afirmam que não são contra a discussão sobre uma nova jornada, mas defendem que uma mudança constitucional dessa dimensão seja analisada com mais tempo e participação de empresários e trabalhadores.
O presidente da Fecomércio-BA, Kelsor Fernandes, criticou a possibilidade de a proposta ser utilizada como bandeira eleitoral.
“Não somos contra a discussão sobre uma nova jornada de trabalho. Somos contra transformar um tema dessa relevância para a sociedade brasileira em bandeira eleitoral”, afirmou.
O presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos, alertou que empresas com turnos e operações contínuas podem precisar criar novas escalas e contratar mais trabalhadores caso as regras sejam alteradas.
As federações também apontam possíveis reflexos sobre custos, empregos, produtividade e competitividade.
No setor agropecuário, a Faeb também alerta para possíveis impactos sobre os custos de produção, que poderiam chegar ao consumidor por meio do aumento dos preços.
A reação do empresariado ocorre às vésperas de uma semana considerada decisiva no Congresso Nacional.
A PEC que trata do fim da escala 6x1 está prevista para avançar no Senado, com análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), nesta quarta-feira (2). Se aprovada, a proposta ainda precisará passar pelo plenário da Casa.
Enquanto trabalhadores defendem a redução da jornada e mais dias de descanso, o setor empresarial cobra cautela e quer que a discussão seja retomada após o período eleitoral.
O impasse coloca, de um lado, a pressão pela redução da jornada de trabalho e, de outro, o alerta empresarial sobre os possíveis efeitos econômicos da mudança.
Da redação do 40 Graus.