
A Receita Federal realizou, na última sexta-feira (10), a maior apreensão de canetas emagrecedoras já registrada na aduana internacional da Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu (PR). Ao todo, foram encontradas 5.850 canetas e ampolas de medicamentos para emagrecimento escondidas sob o capô de uma van com placas do Paraguai, que tentava ingressar no Brasil.
O veículo era conduzido por um motorista paraguaio e transportava quatro passageiros, sendo três brasileiros. Durante a fiscalização, todos aparentavam portar mercadorias dentro da cota de viajante, equivalente a US$ 500. No entanto, ao ser solicitado a abrir o capô do veículo, o motorista simulou atender à ordem e fugiu em direção ao território paraguaio.
Após a fuga, servidores da Receita abriram o compartimento e localizaram os medicamentos ocultos em condições totalmente inadequadas de transporte, próximos a fontes de calor. Entre os produtos estavam canetas de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, além de ampolas de retatrutida, substância ainda em fase experimental e que não possui comercialização autorizada em nenhum país.
Segundo a Receita Federal, a tirzepatida exige armazenamento sob refrigeração para manter sua eficácia. O transporte irregular compromete a qualidade, a segurança e o efeito terapêutico do medicamento.
Até então, a maior apreensão registrada na região da tríplice fronteira havia ocorrido em 29 de abril de 2024, quando 4.598 canetas foram encontradas durante fiscalização na BR-277. Com a nova ocorrência, as apreensões em 2026 já somam 115.647 canetas e ampolas, frente às 7.479 registradas em 2025, um crescimento de 1.446,3%.
A Receita também informou que, no último dia 3, um casal e uma criança foram flagrados transportando 2.707 unidades de tirzepatida e retatrutida. Na mesma sexta-feira, outra fiscalização encontrou 52 caixas de ampolas escondidas em um fundo falso no filtro de ar de uma motocicleta procedente do Paraguai.
A carga apreendida na van foi avaliada em aproximadamente R$ 735 mil. Além da entrada irregular no país, a Receita destacou que a importação dessas versões paraguaias é proibida pela Anvisa, responsável pela regulamentação sanitária no Brasil.
Apesar da proibição, medicamentos comercializados no Paraguai têm se disseminado no mercado brasileiro devido ao preço reduzido, à facilidade de compra e às constantes tentativas de contrabando pela fronteira.
Enquanto um tratamento mensal com o Mounjaro de 15 mg custa a partir de R$ 3.499 no Brasil, versões comercializadas em farmácias de Ciudad del Este podem ser adquiridas por cerca de R$ 430, sem necessidade de apresentação de receita médica.
As canetas e ampolas apreendidas, assim como a van utilizada no transporte, foram encaminhadas para a alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu. O veículo será retido e os medicamentos serão armazenados para posterior destruição.
A fabricante do Mounjaro, a farmacêutica Eli Lilly, reforçou que o medicamento exige rígido controle de temperatura durante toda a cadeia de armazenamento, transporte e distribuição. Segundo a empresa, produtos que circulam fora dos canais autorizados não oferecem garantias de conservação, podendo representar riscos à saúde dos pacientes.
As canetas emagrecedoras pertencem à classe dos medicamentos agonistas de GLP-1, utilizados no tratamento do diabetes e da obesidade por atuarem no controle da glicose e da sensação de saciedade. Entidades médicas alertam que o uso de medicamentos sem autorização da Anvisa pode comprometer a saúde, especialmente quando sua origem e condições de armazenamento são desconhecidas.
Da Redação...