
A chegada do navio vindo da China com equipamentos que serão usados na construção da ponte Salvador-Itaparica, nesta terça-feira (19), movimentou a cena política baiana. De acordo com o cientista político Cláudio André de Souza, a obra vai impactar a eleição de 2026 em Salvador e na Região Metropolitana.
"Esse anúncio de hoje, aliado ao início da operação do VLT, a retomada das obras do metrô no Campo Grande, e a entrega recente da nova Rodoviária de Salvador é um pacote robusto de intervenções. Então a Ponte Salvador-Itaparica chega ao centro do debate público, e não é só uma obra, é uma marca forte do governador Jerônimo no Território Metropolitano de Salvador, onde vivem 24% dos eleitores baianos e onde ACM Neto construiu, ao longo de três mandatos na capital, o único reduto territorialmente sólido da oposição baiana", destaca Souza.
Em 2022, recorda o cientista político, Jerônimo Rodrigues venceu em 22 dos 27 Territórios de Identidade da Bahia. Neto foi majoritário em apenas cinco.
No único onde acumulou uma diferença expressiva — mais de 480 mil votos — foi exatamente no Território Metropolitano. Esse número revela, ao mesmo tempo, a força e o limite da estratégia oposicionista: ganhar com folga em Salvador não resolve o problema de uma Bahia que, em quatro de cada cinco municípios, vota junto para presidente e governador, com correlação positiva e robusta entre o voto lulista e o voto em Jerônimo.
Lula e Jerônimo
Ainda de acordo com ele, É nesse contexto que as obras metropolitanas precisam ser lidas como resposta política. O VLT carrega uma solução de mobilidade para uma cidade com um dos piores transportes públicos do Brasil, mas carrega também uma intervenção simbólica e material no espaço disputado entre o Governo do Estado e a gestão Bruno Reis.
Inaugurar obras de grande visibilidade na capital, ao lado de Lula, é uma forma de dizer ao eleitorado metropolitano que o estado governa onde a oposição imagina mandar.
"A Ponte Salvador-Itaparica amplia essa lógica para além dos limites municipais da capital. Conectar o Recôncavo e o litoral sul à metrópole significa integrar territórios com gravitação política historicamente distinta. O impacto econômico é real — o Recôncavo tem gargalos sérios de mobilidade e a Região Metropolitana concentra 40% do PIB baiano", disse o cientista político.
Segundo Souza, Bruno Reis entende o movimento. "O discurso de confronto com o estado se acentuou nos últimos meses por cálculo, não por temperamento. O prefeito precisa demarcar território antes que as obras federais e estaduais reconfigurem a percepção pública sobre quem governa Salvador", avalia.
RMS cercada
Para ele, a disputa pela paternidade das entregas, a recusa da presença em eventos conjuntos com o governador e a retórica de oposição mais agressiva são respostas diretas à percepção de que a Região Metropolitana está sendo cercada por uma agenda que não é sua.
Da Redação do 40 Graus.