
A manifestação realizada nessa quinta-feira, 15 de dezembro de 2026, na Praça Castro Alves — popularmente conhecida como Praça das Corujas — pode até não ter reunido uma multidão, como esperavam alguns setores do movimento estudantil, mas ainda assim, o protesto cumpriu um papel relevante: recolocar o debate sobre o transporte coletivo público de Barreiras no centro das atenções da sociedade e das redes sociais.
Organizado com o apoio do vereador João Felipe, o ato teve como principal pauta o recente reajuste da tarifa de ônibus. Embora o aumento seja considerado legal — girando em torno de cinquenta centavos — a grande questão levantada pelos estudantes e por parte significativa da população não é apenas o valor, mas a contrapartida. Afinal, o reajuste é legal, mas é moral?
Usuários do transporte coletivo afirmam que não há melhorias perceptíveis nos ônibus da empresa Viação Cidade de Barreiras, concessionária responsável pelo serviço.
As reclamações são antigas e recorrentes: veículos em más condições, panes mecânicas frequentes, pneus se soltando, ônibus pegando fogo e atrasos constantes. Acidentes e imprevistos podem acontecer, é verdade, mas quando se tornam uma rotina, deixam de ser exceção e passam a ser sintoma de um problema estrutural.
Outro ponto que chama a atenção é o fato de que, historicamente, apenas a Viação Cidade de Barreiras vence as licitações no município, o que levanta questionamentos sobre concorrência, fiscalização e cumprimento do contrato.

O que muitos usuários dizem, de forma clara, é simples: "o povo aceita pagar a passagem, mas exige melhorias reais no serviço prestado".
No meio político, há quem minimize o protesto, afirmando que o vereador João Felipe estaria apenas buscando visibilidade, já que 2026 é um ano eleitoral e ele é apontado como possível candidato a deputado estadual.
De fato, os ânimos estão exaltados e temas sensíveis costumam ganhar mais espaço nesse período. No entanto, reduzir o debate a uma estratégia eleitoral é ignorar uma insatisfação antiga da população barreirense.
O tema, inclusive, já foi levado à Câmara Municipal de Barreiras, mas ficou restrito a audiências públicas e discursos, sem que as melhorias prometidas se tornassem visíveis no dia a dia dos usuários.
Mesmo sem lotar a praça, o protesto “bombou” nas redes sociais e foi assunto constante nesta sexta-feira, 16. E isso, por si só, já indica que o objetivo principal foi alcançado.
"A mobilização extrapolou o espaço físico e alcançou o debate público, envolvendo não apenas estudantes, mas trabalhadores, a população mais pobre e todos que dependem do transporte coletivo", destacou um leitor do blog Barreiras 40 Graus.
Com interesse político ou não, o fato é que a manifestação foi válida. O transporte coletivo não é um problema de um grupo específico, mas de toda a sociedade barreirense. Se o objetivo era reacender o debate, pressionar o poder público e expor a insatisfação popular, a resposta parece clara: sim, João Felipe atingiu seu objetivo.
Por Navalhada/Barreiras 40 Graus.