
O clima ficou tenso nos bastidores do Poder Judiciário e da Polícia Federal nesta quarta-feira (14), durante o avanço da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master, o BRB e empresários ligados ao esquema, entre eles o baiano Nelson Tanure. No centro do caso, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez duras críticas à condução das investigações pela Polícia Federal.
Documentos obtidos pelo BNews revelam uma queda de braço institucional e detalhes de ações realizadas em aeroportos, incluindo prisões, buscas pessoais e apreensão de passaportes, que culminaram no bloqueio recorde de bens e valores superiores a R$ 5,7 bilhões.
Um dos momentos mais sensíveis da operação ocorreu na madrugada desta quarta-feira, quando Toffoli decretou a prisão temporária de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A decisão foi tomada após a PF identificar que Zettel possuía passagem comprada para Dubai, com embarque previsto para as 00h50, poucas horas antes do início oficial da operação.
Segundo o ministro, a prisão foi “imprescindível para as investigações”, diante do risco de prejuízo à coleta de provas. Além da detenção, Toffoli determinou a apreensão do passaporte do investigado e a realização de buscas pessoais e de bagagens no Aeroporto de Guarulhos.
O empresário Nelson Tanure também foi alvo de medidas cautelares. Monitorado pela PF, ele tinha um voo marcado para Curitiba na manhã da operação. Para evitar eventual evasão, Toffoli autorizou que Tanure fosse abordado para busca pessoal em qualquer local onde fosse encontrado, inclusive no aeroporto do Rio de Janeiro.
Em seus despachos, Toffoli adotou tom duro ao criticar a Polícia Federal, registrando “causar espécie” o descumprimento de prazos e apontando “falta de empenho” e “inobservância expressa e deliberada” de ordens judiciais. O ministro determinou que o diretor-geral da PF explique, em até 24 horas, os atrasos no cumprimento das diligências, atribuindo à autoridade policial eventual prejuízo às provas.
A investigação apura crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Nesta fase, as buscas foram ampliadas para novos endereços ligados a Daniel Birmann Vorcaro e Flávio de Castro Vorcaro, diante de indícios de novos ilícitos supostamente cometidos durante o andamento do inquérito. Todo o material apreendido deverá ser encaminhado lacrado diretamente ao STF.
Da Redação.