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Entrada de Flávio Bolsonaro no jogo presidencial ameaça estratégia de ACM Neto na Bahia

Aliados avaliam que fragmentação da direita em 2026 pode empurrar ex-prefeito para escolhas difíceis, enquanto governo Jerônimo acende alerta e oposição endurece o tom.

F. Silva
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Metro1
13/01/2026 às 11h14
Entrada de Flávio Bolsonaro no jogo presidencial ameaça estratégia de ACM Neto na Bahia

Cardeais da oposição ao PT na Bahia admitem, nos bastidores, que uma eventual candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República pode complicar, e muito, os planos do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) na disputa pelo governo do estado em 2026.

A avaliação é de que a entrada de Flávio no páreo tende a dividir a direita entre dois grandes blocos: os bolsonaristas de raiz e a ala considerada mais moderada. Esse racha colocaria Neto em uma situação delicada, com poucas saídas e todas politicamente custosas.

Aliados próximos afirmam que, nesse cenário, o ex-prefeito ficaria diante de uma “sinuca de bico”: ou subir no palanque de um presidenciável que pode nem chegar ao segundo turno, enfraquecido pela pulverização de candidaturas, ou se alinhar de vez ao bolsonarismo, assumindo o desgaste da alta rejeição do grupo no eleitorado baiano.

O melhor dos mundos

Segundo um importante cacique oposicionista, o cenário ideal para ACM Neto — admitido pelo próprio em conversas internas — seria a unificação de toda a direita em torno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O problema, apontam interlocutores, é que essa hipótese praticamente cairia por terra caso Flávio Bolsonaro decida disputar a Presidência como representante direto do pai. Tarcísio, que caminha para uma reeleição tranquila em São Paulo, dificilmente colocaria seu capital político em risco para enfrentar o filho de um ex-presidente com forte capilaridade eleitoral.

Outros nomes da direita, como os governadores Ratinho Jr. (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), embora citados como alternativas, não empolgam o suficiente, segundo fontes do próprio campo oposicionista.

O pior dos mundos

De forma praticamente unânime, lideranças da oposição avaliam que ACM Neto não terá, em 2026, a mesma margem de manobra de 2022 para se apresentar como um candidato “sem lado”.

O acirramento da polarização nacional deve obrigá-lo a escolher um campo. E, se Flávio Bolsonaro despontar como o principal nome da direita, Neto poderá ser pressionado a subir em seu palanque para não perder os votos do eleitorado bolsonarista.

O problema é que essa associação é vista como altamente tóxica na Bahia. Do outro lado da disputa estadual estará o governador Jerônimo Rodrigues (PT), impulsionado pela popularidade do presidente Lula no estado — um fator que amplia o risco eleitoral para a oposição.

Luz amarela no governo

Enquanto isso, na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), a postura mais agressiva da oposição começou a incomodar o Palácio de Ondina. Longas obstruções em sessões recentes acenderam o sinal de alerta entre articuladores do governo Jerônimo.

Apesar da ampla maioria governista, a estratégia de enfrentamento adotada pela minoria levou o núcleo político do governador a repensar sua atuação na Casa para evitar surpresas desagradáveis.

Olho no lance

A ordem agora é garantir presença maciça da base aliada em votações consideradas estratégicas. O objetivo é impedir que a oposição volte a travar a pauta por falta de quórum, como ocorreu na sessão iniciada na quarta-feira (10) e encerrada apenas na madrugada de quinta (11).

A avaliação interna é de que não se pode permitir que os adversários “peguem gosto” pelo confronto e acabem impondo uma derrota simbólica ou política ao Executivo.

Do meu, do seu, do nosso bolso

Em Salvador, um episódio recente reacendeu críticas sobre o uso de recursos públicos. Um contrato assinado na última quinta-feira (4) pelo diretor-presidente da SalvadorPar, Marcos Lessa, autorizou o repasse de cerca de R$ 21 mil para bancar a confraternização de fim de ano dos funcionários da empresa.

Criada pela prefeitura para viabilizar concessões e parcerias com a iniciativa privada, a SalvadorPar promoverá a festa para 40 convidados no badalado Red River Bar. O custo: R$ 525 por pessoa.

O episódio gerou indignação nos bastidores e reforçou o sentimento, entre contribuintes, de que sempre há espaço para um novo absurdo quando o assunto é gasto com dinheiro público.

Da Redação.

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