Segundo o Financial Times, o chamado “movimento bolsonarista” está em crise. A prisão de Jair Bolsonaro — acusado de conspiração para golpe — e os erros políticos cometidos pelos filhos colocaram em xeque a coesão e a imagem do grupo.
Em especial, o lobby conduzido por Eduardo nos Estados Unidos para tentar evitar a prisão de Bolsonaro “fracassou espetacularmente”. A ofensiva incluiu apelos internacionais, mas acabou provocando reações negativas: resultou em tarifas de 50 % sobre produtos brasileiros, o que irritou o empresariado nacional — sem impedir qualquer decisão judicial no Brasil.
A ida de Eduardo aos EUA é caracterizada pela publicação como um “exílio autoimposto”. Há temor, segundo o jornal, de que ele retorne ao Brasil e enfrente novas acusações por obstrução de justiça.
Para o FT, o desgaste vai além: fontes ligadas ao mercado financeiro afirmaram que o episódio “destruiu significativamente” o valor da marca política do clã Bolsonaro. Em termos simbólicos, o ex-presidente aparece “abatido e solitário”, em forte contraste com o líder inflamado que atraía multidões nos seus melhores momentos.
Com o desmoronamento da influência da família Bolsonaro, a reportagem aponta que a direita brasileira está numa sorte de “encruzilhada” — forçada a buscar um novo líder que possa representar o campo conservador nas eleições de 2026.
O nome mais citado como possível alternativa é o do Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Para o Financial Times, ele representa o perfil desejado por parte do empresariado e pela elite conservadora — um candidato de direita, com discurso mais moderado e “mais palatável” que o legado polarizador do clã Bolsonaro.
Mesmo assim, a análise do jornal sugere que o caminho não será fácil: embora a direita ainda conte com uma base fiel — estimada em cerca de 20% do eleitorado —, ela precisará reconstruir credibilidade e evitar os erros que afundaram o bolsonarismo.
O balanço do Financial Times é duro: o projeto de perpetuação do poder político pela família Bolsonaro está gravemente comprometido. A tentativa de intervenção externa — via lobby nos Estados Unidos — não apenas falhou como se transformou num suicídio político, eliminado apoio empresarial e expondo vulnerabilidades jurídicas. O que se desenha agora é uma reorganização da direita brasileira, com um eleitorado fragmentado, lideranças em crise e a difícil busca por um novo rosto que consiga unir e representar esse campo político.
Da Redação do 40 Graus.
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