
O aguardado júri popular do ex-policial militar Henrique Otavio Oliveira Velozo, acusado de assassinar o multicampeão mundial de Jiu-Jítsu Leandro Lo, foi abruptamente suspenso nesta terça-feira (5), após um intenso bate-boca entre a defesa, a acusação e familiares da vítima. O julgamento acontecia no Fórum da Barra Funda, em São Paulo, e foi dissolvido pelo juiz responsável, que remarcou o processo para os dias 12, 13 e 14 de novembro.
A confusão teve início durante o depoimento do delegado João Eduardo da Silva, responsável pelo inquérito do caso. O advogado de defesa de Velozo, Cláudio Dalledone, insinuou que Leandro Lo e seus amigos teriam consumido maconha na noite do crime. O delegado, no entanto, negou a existência de qualquer laudo que confirmasse o uso de substância ilícita, o que gerou revolta imediata no plenário, especialmente por parte do promotor João Calsavara e dos familiares do lutador.
Em meio à tensão, Dalledone ainda tentou apresentar fotos de amigos de Lo para sustentar a tese de que o policial teria agido em legítima defesa, por se sentir supostamente intimidado. O juiz advertiu a defesa diversas vezes, indeferiu perguntas consideradas inadequadas e interrompeu a sessão para uma conversa reservada com as partes envolvidas. Ao retornar, decidiu suspender o julgamento por "falta de condições adequadas para sua continuidade".
Na saída do plenário, a mãe de Leandro, Fátima Lo, emocionada, desabafou ao g1:
“Só adiou o sofrimento. Fizeram circo. Me deu uma coisa ruim quando vi ele (o PM), ele tem um semblante horrível: o assassino”.
O júri popular, agora adiado, deverá analisar 11 testemunhas e provas tecnológicas, incluindo vídeos gerados por Inteligência Artificial e animações que ilustram as versões conflitantes da acusação e da defesa sobre a noite do crime.
Henrique Velozo responde por homicídio doloso triplamente qualificado, está preso preventivamente e, se considerado culpado, pode pegar mais de 20 anos de prisão.
Fonte: Tatame Notícias.