
Leme (SP) — O município de Leme, no interior de São Paulo, está em luto pela morte brutal de Tiago Nicolau, de 30 anos, vítima de um assalto com requintes de crueldade. O crime ocorreu no dia 10 de junho, e Nicolau faleceu oito dias depois, em 18 de junho, na Santa Casa da cidade, devido às graves lesões causadas pela ingestão forçada de ácido.
De acordo com o boletim de ocorrência, Tiago foi surpreendido por dois assaltantes enquanto transitava pela estrada municipal Prefeito Dr. Sebastião Jair Mourão. Após ser agredido fisicamente, foi obrigado a ingerir um líquido corrosivo, posteriormente identificado como ácido, o que causou lesões severas na boca, língua, faringe e esôfago.
Além da violência extrema, os criminosos fugiram levando o Renault Sandero prata e o celular da vítima, que ainda não foram recuperados. Até o momento, ninguém foi preso, e o caso segue sob investigação da Polícia Civil de Leme.
Tiago Nicolau era militar reformado da Força Aérea Brasileira (FAB). Ele deixou a Aeronáutica em 2015 após ser diagnosticado com neurite óptica, condição que lhe causou a perda total da visão do olho esquerdo.
Apesar da limitação, encontrou no trabalho como motorista de aplicativo uma forma de se reinventar e garantir o sustento. Conhecido entre amigos como uma pessoa batalhadora e generosa, Tiago era pai de uma menina e fazia planos para o futuro, com foco no bem-estar da filha.
A notícia da morte causou forte comoção nas redes sociais. Amigos e familiares manifestaram indignação, tristeza e revolta. A advogada Luana Sampaio, amiga próxima da vítima, escreveu um emocionante desabafo em sua conta pessoal:
“O que me corta o coração é que, no dia em que tudo aconteceu, tínhamos marcado de tomar um café. Você não apareceu. Aquele café nunca aconteceu. Agora ficou a xícara cheia de tudo o que ficou por dizer, por viver, por contar.”
A prima de Tiago também lamentou o fato de que a família não pôde se despedir de forma digna, já que o caixão precisou ser lacrado durante o velório, realizado na sexta-feira (20), no Cemitério Municipal São João Batista, em Leme.
“Nos tiraram até a despedida dele. A justiça dos homens pode ser falha, mas a justiça de Deus não”, afirmou.
A Polícia Civil de Leme segue investigando o caso. A Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) ainda não divulgou novas informações sobre o andamento das apurações. Imagens de câmeras de segurança na região estão sendo analisadas, e testemunhas devem ser ouvidas nos próximos dias.
Enquanto isso, a população da cidade clama por justiça e pelo fim da impunidade em um caso que chocou não apenas Leme, mas todo o estado de São Paulo pela crueldade do crime e pela dor da perda.
Com informações do Portal Meio Norte.