
A cidade de Barreiras vive dias de tensão e revolta em meio à polêmica envolvendo os precatórios do Fundef. O valor, estimado em R$ 28 milhões, que estava retido por decisão judicial após solicitação do Ministério Público, o que gerou frustração, protestos e questionamentos por parte de professores da rede municipal de ensino, vereadores, sindicato e da própria população. O motivo: a indefinição sobre o destino do recurso, que muitos acreditavam que seria, ao menos em parte, destinado aos docentes.
Nas ruas, nas escolas, na Câmara de Vereadores e nas redes sociais, a única pauta dominante tem sido: “Onde está o dinheiro do Fundef que seria partilhado com os professores?”
A expectativa era de que os recursos fossem distribuídos com os profissionais da educação como forma de reconhecimento retroativo por serviços prestados.
Muitos docentes, inclusive, já faziam planos para com os valores. A aquisição da casa própria, o pagamento de dívidas e melhoria de vida estavam entre os objetivos. Tudo foi adiado, deixando um sentimento de desrespeito e desvalorização entre a categoria.
Durante a sessão dessa terça-feira, 27, o vereador Dr. João Felipe fez um discurso contundente, cobrando respostas claras do prefeito Otoniel Teixeira e da gestão municipal. Em tom de indignação, o parlamentar relembrou declarações do próprio prefeito, que teria sugerido, em clima de celebração, que os professores poderiam “escolher o carro” e “comprar a picanha” com o valor a ser recebido.
“Mas o que aconteceu? O gato comeu?” — Fato é que inguém sabe onde foi aplicado o dinheiro. Nem mesmo o ex-procurador do município à época, Túlio Viana, que hoje ocupa o cargo de vice-prefeito, soube explicar com clareza. Limitou-se a dizer que foi usado na educação.
A insatisfação cresce a cada dia. O Sindicato dos Professores, atento à mobilização da categoria, já solicitou uma audiência pública com os vereadores para tratar exclusivamente do tema. No entanto, o questionamento que paira no ar é: será que os parlamentares da base governista comparecerão ao encontro. A ausência poderá ser interpretada como mais um desrespeito à classe que sustenta a educação pública no município.
Ao final de sua fala, João Felipe lançou um desafio direto ao chefe do Executivo:
“Será que eu estou mentindo, prefeito Otoniel? Se posiicone a respeito do que você falou!”
A cobrança é por um posicionamento oficial, claro e transparente sobre o paradeiro dos R$ 28 milhões. O silêncio da gestão municipal só contribuirá para ampliar a desconfiança e a insatisfação da população.
Enquanto o caso segue sob investigação das autoridades competentes, os professores continuam aguardando não apenas o repasse justo dos recursos que lhes são de direito, mas também o respeito que acreditam ter conquistado ao longo de anos de dedicação ao ensino público.
A polêmica está longe de terminar — e promete ser tema central nos próximos debates políticos e sociais de Barreiras.
Assista a um corte do discurso do vereador!
Da Redação do 40 Graus/Sessão da Rede Câmara.