
O empresário José Marcos Moura, conhecido como "Rei do Lixo", foi um dos alvos da terceira fase da Operação Overclean, deflagrada nesta semana pela Polícia Federal (PF), em Salvador e em outras cidades do país.
Segundo as investigações, Moura é apontado como um dos líderes de um esquema criminoso envolvido em fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. A PF apurou que o empresário utilizava contratos firmados com diversos municípios brasileiros – inclusive com a capital baiana – por meio de empresas do setor de limpeza urbana que administra, para praticar os crimes.
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Em 2024, José Marcos e outras 15 pessoas chegaram a ser presos após a Justiça decretar a prisão preventiva dos investigados. No entanto, todos já foram soltos.
Na decisão judicial que fundamentou as prisões, José Marcos é descrito como alguém com “ampla rede de contatos e influência política”, com capacidade de interceder junto a autoridades públicas para favorecer os interesses da organização, facilitando contratos e o desbloqueio de pagamentos.
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A Justiça ainda aponta que Moura tinha trânsito livre com agentes públicos, entre eles o então secretário de Educação de Salvador, Bruno Barral. Este também foi alvo da operação na última quinta-feira (3), conforme apuração da TV Bahia.
Barral esteve à frente da Secretaria de Educação da capital baiana entre setembro de 2017 e novembro de 2018. No momento da operação, ele ocupava o mesmo cargo em Belo Horizonte (MG). Após a ação, a Justiça determinou o seu afastamento, mas segundo a Prefeitura da capital mineira, ele pediu exoneração. A decisão foi publicada no mesmo dia, em edição extra do Diário Oficial do Município.
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O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), recém-empossado, afirmou em coletiva de imprensa que “ninguém vai passar a mão na cabeça” de nenhum secretário.
A Operação Overclean ganhou destaque em dezembro de 2024, quando a Polícia Federal apreendeu R$ 1.538.700,00 com suspeitos de envolvimento em desvios milionários de recursos públicos. Para os investigadores, não havia dúvidas de que o dinheiro tinha origem ilícita e seria utilizado no pagamento de propinas em Brasília.
De acordo com a Receita Federal, a organização criminosa utilizava um esquema estruturado para direcionar verbas públicas, especialmente de emendas parlamentares e convênios, a empresas e indivíduos ligados a administrações municipais.
A quantia foi transportada em um voo particular que saiu de Salvador com destino a Brasília.
Segundo a decisão judicial, a investigação da PF identificou que o empresário Alex Rezende Parente e o ex-coordenador do DNOCS na Bahia, Lucas Maciel Lobão Vieira, utilizavam aeronaves para o transporte de valores em espécie. Ambos foram monitorados desde o hangar, em Salvador, até serem abordados em Brasília.
Durante a ação, também foi apreendida uma planilha com a relação de contratos e valores, incluindo menção à sigla “MM”, que pode se referir a Marcos Moura. Os contratos listados somavam mais de R$ 200 milhões em valores suspeitos, com atuação nos estados do Rio de Janeiro e Amapá.
A defesa de Alex Rezende declarou, na época, que recebeu com surpresa a nova fase da operação, alegando que o investigado estava cumprindo rigorosamente todas as medidas judiciais impostas. A defesa também afirmou não poder comentar a decisão de busca e apreensão, pois ainda não havia tido acesso ao seu conteúdo.
Já o advogado de Alex e Lucas, Sebástian Borges de Albuquerque Mello, afirmou por nota que os esclarecimentos seriam prestados no momento e local adequados, respeitando o sigilo profissional.
Durante os depoimentos, a PF identificou diversas contradições nas versões apresentadas pelos investigados. Alex Rezende alegou que o dinheiro era proveniente da venda de equipamentos, enquanto Lucas Lobão disse desconhecer a existência do montante.
Fonte: Portal G1.