Política Plano Golpista
PF encontra plano golpista no celular de Cid, ex-auxiliar de Bolsonaro
Perícia no celular de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, identificou documentos com GLO e diversos contatos.
07/06/2023 15h46 Atualizada há 3 anos
Por: F. Silva Fonte: Portal Metrópoles

A perícia no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), identificou trocas de mensagens, áudios e documentos sobre ações de cunho golpista com o objetivo de garantir a permanência do ex-presidente no Planalto, apesar da derrota nas eleições de 2022.

O jornal O Globo publicou e o Metrópoles confirmou com a cúpula da Polícia Federal (PF), que foi encontrada, por exemplo, a minuta de um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), operação militar que permite apenas ao presidente da República convocar as Forças Armadas nos casos em que há o esgotamento das forças tradicionais de segurança pública. Também há, entre os conteúdos, tentativas de instituição do Estado de Defesa.

O aparelho de telefone do militar foi apreendido durante operação para investigar uma suposta inserção de dados falsos nos sistemas de vacinação contra a Covid-19 do Ministério da Saúde. Nos mandados de busca e apreensão, também foram encontrados indícios de lavagem de dinheiro.

A PF concluiu a perícia feita no celular que havia sido apreendido com Mauro Cid no início do mês, e o conteúdo de mensagens e áudios encontrado no aparelho e na nuvem deve render novos desdobramentos das investigações. Em depoimento à PF, Cid silenciou sobre supostos planos de militares próximos a Bolsonaro para realizar um golpe de Estado e prender o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Os peritos encontraram trocas de mensagens entre Mauro Cid e o ex-major do Exército Ailton Gomes, que foi candidato pelo PL a deputado estadual no Rio de Janeiro em 2022 e, durante a campanha, apresentava-se como “01 do Bolsonaro”.

Segundo a investigação, Ailton Gomes se dispôs a “incitar grupos de manifestantes para aderirem a pautas antidemocráticas no interesse do ex-presidente da República Jair Bolsonaro, havendo fortes indícios de que o referido investigado, além de ter proximidade com o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, também teria um contato direto com o ex-presidente”.

Datado de 15 de dezembro, um dos áudios mostra Barros dizendo a Cid: “É o seguinte: entre hoje e amanhã, sexta-feira, tem que continuar pressionando o Freire Gomes (então comandante do Exército), para que ele faça o que tem que fazer. Até amanhã à tarde, ele aderindo, bem, ele faça um pronunciamento, então, posicionando-se dessa maneira, para defesa do povo brasileiro. E, se ele não aderir, quem tem que fazer esse pronunciamento é o Bolsonaro, para levantar a moral da tropa. Que você viu, né? Está abalada em todo o Brasil”.

Fonte: Portal Metrópoles.