Geral Guerra nuclear
Rússia ameaça guerra nuclear contra escalada militar do Ocidente na Ucrânia
Ucranianos prometem um pacote robusto de novas armas que pode incluir tanques de guerra.
20/01/2023 17h08 Atualizada há 4 anos
Por: F. Silva Fonte: Notícias ao Minuto

A Guerra da Ucrânia entra em sua 48ª semana com um novo ponto de inflexão no conflito entre a Rússia, que invadiu o país vizinho em fevereiro passado, e o Ocidente, que tem sustentado militarmente os esforços de Kiev em resistir à agressão.

Nesta quinta (19), véspera da reunião em que aliados ucranianos prometem um pacote robusto de novas armas que pode incluir tanques de guerra até agora não enviados para o conflito, Moscou reagiu à movimentação ameaçando o emprego de sua bomba atômica retórica: armas nucleares de verdade.

Representante da linha dura do Kremlin, Dmitri Medvedev, que presidiu o país em nome de Vladimir Putin de 2008 a 2012, foi ao Telegram comentar o encontro desta sexta (20) do grupo de 50 países liderados pelas forças da Otan, a aliança militar ocidental, na base americana de Ramstein, na Alemanha.

"Baladeiros políticos subdesenvolvidos repetem como mantra: 'Para obter a paz, a Rússia precisa perder'. Nunca lhes ocorre trazer a seguinte conclusão elementar disso: a derrota de uma potência nuclear numa guerra convencional pode levar a uma guerra nuclear. Potências nucleares não perdem conflitos em que seu destino está em jogo", escreveu.

O comunicado é interessante. Se por um lado Medvedev repete o que já disse outras vezes, apelando a uma linha que já não comove tanto os políticos ocidentais, por outro transparece uma franqueza inusitada: a admissão de que os russos podem ser derrotados.

Já no ambiente oficial do Kremlin, o porta-voz Dmitri Peskov foi numa linha semelhante ao comentar reportagem do jornal americano The New York Times, segundo a qual o governo de Joe Biden tem discutido apoiar uma eventual ofensiva ucraniana contra a Crimeia -península anexada em 2014 pela Rússia e joia da coroa expansionista de Putin, sede de sua Frota do Mar Negro.

A reportagem é, no jargão político, um balão de ensaio: para tal ataque, Kiev precisaria retomar a província de Kherson, algo que não parece tão simples. Mas Peskov mordeu a isca e indicou a reação russa.

Da Folhapress.