A crise financeira do Ueno, um dos principais bancos digitais do Paraguai, provocou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, nesta terça-feira (3). O episódio ampliou a pressão sobre o governo de Santiago Peña, diante das dificuldades financeiras e das suspeitas envolvendo a administração da instituição.
Com aproximadamente 3 milhões de clientes, o banco teve seu índice de solvência reduzido para menos da metade do mínimo exigido após alterações em seus balanços. Diante da situação, o Banco Central iniciou medidas de proteção aos depositantes, enquanto o Ministério Público solicitou uma investigação criminal e determinou a prisão de oito pessoas ligadas à instituição.
O caso também levantou suspeitas de conflitos de interesse. Carvallo comandou o Ueno até agosto de 2023, enquanto Peña foi sócio do grupo controlador até março de 2025. O banco, controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos.
A crise provocou apreensão entre os clientes. Nesta terça-feira, agências foram encontradas fechadas, e correntistas, incluindo aposentados que recebem benefícios pelo banco, cobraram acesso ao próprio dinheiro.
Para conter os efeitos da crise, Peña anunciou um acordo com lideranças do Congresso para acelerar a votação de um projeto que autoriza o uso do Fundo de Garantia para ressarcir os clientes.
A proposta também busca assegurar o pagamento de recursos públicos depositados na instituição, incluindo valores do Instituto de Previdência Social (IPS) e de outros fundos previdenciários.
Peña afirmou que o problema está restrito ao Ueno e não representa uma ameaça à estabilidade de todo o sistema financeiro paraguaio.
Carvallo, por sua vez, anunciou que deixará a presidência do Banco Central, mas permanecerá no cargo durante o processo de intervenção na instituição. Segundo ele, a decisão pretende reduzir as disputas políticas e permitir que os órgãos reguladores conduzam a fiscalização.
Os efeitos da crise também chegaram ao mercado financeiro, com a desvalorização dos títulos do banco e pressão sobre os papéis da dívida pública paraguaia.