Geral Paraguai
Crise no banco Ueno provoca renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai
Instituição enfrenta dificuldades financeiras, investigações criminais e suspeitas de conflitos de interesse; governo de Santiago Peña anuncia medidas para proteger os depositantes.
04/11/2026 11h23
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Metro1

A crise financeira do Ueno, um dos principais bancos digitais do Paraguai, provocou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, nesta terça-feira (3). O episódio ampliou a pressão sobre o governo de Santiago Peña, diante das dificuldades financeiras e das suspeitas envolvendo a administração da instituição.

Com aproximadamente 3 milhões de clientes, o banco teve seu índice de solvência reduzido para menos da metade do mínimo exigido após alterações em seus balanços. Diante da situação, o Banco Central iniciou medidas de proteção aos depositantes, enquanto o Ministério Público solicitou uma investigação criminal e determinou a prisão de oito pessoas ligadas à instituição.

O caso também levantou suspeitas de conflitos de interesse. Carvallo comandou o Ueno até agosto de 2023, enquanto Peña foi sócio do grupo controlador até março de 2025. O banco, controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos.

A crise provocou apreensão entre os clientes. Nesta terça-feira, agências foram encontradas fechadas, e correntistas, incluindo aposentados que recebem benefícios pelo banco, cobraram acesso ao próprio dinheiro.

Governo anuncia medidas para proteger depositantes

Para conter os efeitos da crise, Peña anunciou um acordo com lideranças do Congresso para acelerar a votação de um projeto que autoriza o uso do Fundo de Garantia para ressarcir os clientes.

A proposta também busca assegurar o pagamento de recursos públicos depositados na instituição, incluindo valores do Instituto de Previdência Social (IPS) e de outros fundos previdenciários.

Renúncia em meio à intervenção

Peña afirmou que o problema está restrito ao Ueno e não representa uma ameaça à estabilidade de todo o sistema financeiro paraguaio.

Carvallo, por sua vez, anunciou que deixará a presidência do Banco Central, mas permanecerá no cargo durante o processo de intervenção na instituição. Segundo ele, a decisão pretende reduzir as disputas políticas e permitir que os órgãos reguladores conduzam a fiscalização.

Os efeitos da crise também chegaram ao mercado financeiro, com a desvalorização dos títulos do banco e pressão sobre os papéis da dívida pública paraguaia.

Da Metro1...