A morte de Carlos Marighella, em 4 de novembro de 1969, durante a ditadura militar, voltou à memória de seu filho, Carlinhos Marighella, que relembrou os últimos momentos do pai e as dificuldades enfrentadas pela família após o assassinato. Em entrevista ao Jornal da Bahia no Ar, nesta quarta-feira (4), ele destacou a importância do reconhecimento histórico de seu legado.
Aos 20 anos, Carlinhos recebeu a notícia da morte do pai, que era perseguido pelos órgãos de repressão do regime. Na época, a imprensa o apresentava como um homem armado e disposto ao confronto. Segundo o filho, entretanto, Marighella buscava articular forças de esquerda para organizar a resistência à ditadura.
A notícia chegou na redação da Tribuna da Bahia, por meio do jornalista Quintino de Carvalho. No local, Carlinhos viu, por telex, a fotografia do corpo do pai dentro de um Fusca, com marcas de tiros. “Foi muito doloroso para mim”, recordou.
A família também enfrentou obstáculos para acompanhar o sepultamento em São Paulo. Com ajuda financeira de amigos, conseguiu viajar, mas encontrou Marighella enterrado como indigente, em uma sepultura sem identificação, no Cemitério de Vila Formosa.
O assassinato ocorreu na Alameda Casa Branca, durante uma operação do DOPS, comandada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury. Embora a versão oficial apontasse uma morte em tiroteio, investigações posteriores concluíram que Marighella foi atingido quando já estava sob o domínio dos agentes.
Ao recordar o legado do pai, Carlinhos destacou as homenagens, os livros, os filmes e as instituições que preservam sua memória. Para ele, a história brasileira reconheceu a importância de sua trajetória política. “Meu pai foi reconhecido e absolvido pela verdadeira história do Brasil”, declarou.