A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a revogação da ordem de entrega dos passaportes do parlamentar. Os advogados também solicitaram o afastamento do ministro da investigação, alegando possíveis conflitos de interesses.
Segundo as informações divulgadas, Flávio teria deixado o Brasil por via terrestre, utilizando um passaporte italiano, acompanhado da mulher e das duas filhas. A família embarcou em Puerto Iguazú, na Argentina, com destino aos Estados Unidos, onde chegou na quarta-feira (28), em um jato particular.
O senador é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo bets estrangeiras e empresas relacionadas ao advogado Willer Tomaz.
A defesa apresentou um agravo regimental, recurso que permite contestar decisões individuais de ministros e submeter a questão à análise de um colegiado do STF. No pedido, os advogados solicitam o reconhecimento do impedimento ou suspeição de Moraes.
Entre os argumentos apresentados está a relação da empresa Fraction 024 com a administração de uma aeronave utilizada tanto por Flávio Bolsonaro quanto pelo ministro. Os advogados também apontam relações comerciais entre a companhia e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
Outro elemento citado na investigação é a presença de Flávio em uma lista de contatos favoritos de Willer Tomaz em um aplicativo de mensagens configurado para autodestruição das conversas após uma única visualização.
Moraes também determinou que o senador não mantenha contato com Tomaz, que está no exterior desde agosto, possivelmente em Miami.
Além desse inquérito, Flávio responde a outra investigação sobre possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os recursos investigados teriam ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Da redação do 40 Graus.