Há uma diferença enorme entre perder a noção da realidade e perceber que a confusão pode ser transformada em instrumento de poder - e isso muitos políticos estão fazendo.
Na política, o caos também pode ser uma estratégia. Quando a realidade deixa de favorecer a determinado projeto, cria-se uma realidade paralela, alimentada por discursos inflamados, contradições e questionamentos sem provas.
O método é conhecido: "lançar declarações provocativas, desafiar instituições, desacreditar os adversários e transformar qualquer contestação em combustível para a própria militância.
- Se alguém questiona, é inimigo. Se as evidências contradizem o discurso, as evidências são colocadas sob suspeita". Se os fatos não se encaixam na narrativa, tenta-se desacreditar os próprios fatos.
O perigo está justamente nisso: "quando a política abandona o compromisso com a realidade, a mentira passa a disputar espaço com a verdade em condições aparentemente iguais". E, nesse ambiente, quanto maior a confusão, mais difícil se torna responsabilizar quem a produz.
Não se trata de fazer diagnósticos sobre a saúde mental de ninguém. Trata-se de questionar comportamentos públicos, discursos, responsabilidades e estratégias políticas. Afinal, a democracia não pode ser refém de quem transforma a desinformação em método e a instabilidade em palanque.
O Brasil não precisa de políticos que alimentem o delírio coletivo para sobreviver politicamente. Precisa de representantes comprometidos com os fatos, com as instituições e, acima de tudo, com a responsabilidade perante a sociedade.
P. S. "Porque uma coisa é não compreender a realidade. Outra, muito diferente, é compreender o poder da confusão e utilizá-la politicamente" Isso aqui é Brasil!.