O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (27) que a Polícia Federal (PF) investigue suspeitas de financiamento estrangeiro à campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) e possíveis manipulações de algoritmos nas redes sociais. O parlamentar nega irregularidades.
A investigação apurará uma possível participação da Rockbridge Network em negociações para financiar a campanha, com eventual intermediação dos empresários Tallis Gomes e Pedro Sang. A PF deverá verificar possíveis repasses de dinheiro, fornecimento de pessoal ou outros benefícios. A Constituição Federal proíbe partidos políticos de receber recursos financeiros de governos ou entidades estrangeiras.
Outro eixo da apuração envolve a contratação de perfis estrangeiros para divulgar conteúdos favoráveis ao senador sem identificar os financiadores ou os valores pagos. Os investigadores deverão rastrear a origem dos recursos e verificar se a campanha tinha conhecimento das ações.
A decisão também prevê apurar possíveis práticas de manipulação algorítmica por empresas de tecnologia para beneficiar ou prejudicar candidatos, além de eventuais vínculos entre as negociações e interesses econômicos relacionados a terras raras e minerais críticos brasileiros.
Dino destacou que as suspeitas podem indicar interferência estrangeira no processo eleitoral e ressaltou a necessidade de proteger a soberania nacional e a liberdade de escolha dos eleitores.
O ministro acolheu pedidos apresentados pelo PT e por Renan Santos, candidato à Presidência pelo partido Missão. O caso está relacionado a um processo no qual o STF estabeleceu que decisões judiciais estrangeiras não têm validade automática no Brasil.
A ação teve origem em uma disputa na Justiça inglesa sobre o rompimento da barragem de Mariana (MG) e voltou ao debate após os Estados Unidos aplicarem a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.