O Ministério das Relações Exteriores, conhecido como Itamaraty, acusou o presidente da Argentina, Javier Milei, de tentar interferir no processo eleitoral brasileiro. A reação ocorreu após o argentino publicar, nas redes sociais, um trecho de uma entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na publicação, Milei manifestou a expectativa de que a campanha petista não recorresse a uma suposta fraude para vencer a eleição. O governo brasileiro classificou a declaração como uma “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”.
Em nota, o Itamaraty destacou a segurança do sistema de votação eletrônica e afirmou que a lisura eleitoral foi confirmada por observadores internacionais durante o primeiro turno.
O governo também ressaltou que a manifestação de Milei é incompatível com a postura esperada de um chefe de Estado de um país vizinho e amigo. Segundo a pasta, a escolha do futuro do Brasil cabe exclusivamente aos eleitores brasileiros.
Milei já declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno. O episódio amplia o desgaste diplomático entre Brasil e Argentina, marcado por críticas públicas do presidente argentino ao governo brasileiro.
Em resposta às declarações anteriores, o Brasil adotou medidas diplomáticas, incluindo o rebaixamento do nível de representação entre os dois países. Até o momento, não foram divulgadas iniciativas concretas de reaproximação.
O Itamaraty reiterou que a decisão sobre o futuro do país pertence ao povo brasileiro, que deverá se manifestar livremente nas urnas, sem ingerência externa.