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O Brasil diante de um possível abismo de Ditadura: O que pode acontecer depois do dia 25 de outubro!
A vitória de Flávio no primeiro turno abriu uma disputa histórica. De um lado, Lula tenta permanecer no poder e do outro, o bolsonarismo chega fortalecido ao segundo turno e ao Congresso. A pergunta que assusta Brasília é: até onde essa força política poderá chegar?
06/10/2026 20h14
Por: F. Silva Fonte: Da redação do 40 Graus

O resultado do primeiro turno mudou completamente o cenário político no Brasil. Flávio Bolsonaro terminou na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de pouco mais de dois milhões de votos.

Mas a eleição presidencial não é o único dado que chama atenção.

O PL saiu das urnas fortalecido, conquistando 28 das 81 cadeiras do Senado, enquanto outros integrantes da família Bolsonaro também garantiram posições políticas importantes. A força eleitoral do grupo voltou a ocupar o centro do debate nacional.

E então surge a questão que provoca apreensão entre analistas, juristas e setores da sociedade: o que aconteceria com as instituições caso Flávio Bolsonaro chegasse ao Palácio do Planalto com uma base parlamentar tão poderosa?

Não existe, até o momento, prova de que um golpe de Estado esteja sendo planejado por Flávio. Transformar essa possibilidade em certeza seria especulação.

Mas existem fatos que alimentam o debate.

Seu pai, Jair Bolsonaro, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e à abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Ao mesmo tempo, Flávio tem defendido utilizar a maioria política conquistada no Congresso para promover mudanças na Constituição. Em declaração recente, falou em "redemocratizar o país" e em restaurar o respeito às instituições.

É justamente aí que começa a zona de incerteza.

Uma democracia não depende apenas de eleições. Depende também de Congresso, Judiciário, imprensa, oposição, regras eleitorais e respeito aos limites constitucionais.

Quando um grupo político acumula força suficiente para alterar profundamente essas estruturas, a pergunta deixa de ser apenas quem ocupará a Presidência.

Passa a ser: quais serão os limites do poder?

O próprio histórico recente do país tornou essa discussão inevitável. Em 2025, o STF concluiu o julgamento do núcleo principal da trama golpista e condenou Jair Bolsonaro e outros réus.

Isso não significa que uma eventual vitória de Flávio produzirá automaticamente uma ruptura institucional. Uma coisa não decorre necessariamente da outra.

Mas significa que o Brasil chega a esta eleição carregando uma memória política extremamente recente.

E existe outra questão.

Se Flávio vencer, nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e outros políticos que também buscaram espaço na disputa presidencial poderão ter de enfrentar uma máquina política bolsonarista ainda mais consolidada e em muito tempo não terão chances de disputar as eleições em condições de igualdade, a família blosonaro dominará por muito tempo.

Porém, se o Lula vencer, o cenário será diferente: a eleição de 2030 deverá abrir novamente espaço para uma disputa nacional entre diferentes grupos da direita, da esquerda e do centro.

Por isso, o segundo turno não representa apenas uma escolha entre dois candidatos.

Representa também uma disputa sobre o equilíbrio de forças que poderá marcar os próximos anos.

E aqui está o ponto mais delicado: milhões de brasileiros votarão movidos por razões econômicas, ideológicas, religiosas, familiares ou simplesmente pela rejeição ao adversário.

Não é correto tratar o eleitor pobre como incapaz de compreender política ou como alguém que vota necessariamente contra os próprios interesses. A escolha eleitoral é complexa e envolve experiências reais de cada cidadão.

O que cabe ao eleitor é perguntar, independentemente de partido: quem respeitará as regras quando perder? Quem aceitará os limites impostos pela Constituição? Quem defenderá eleições livres mesmo quando o resultado for desfavorável? As urnas não passarão a ser atacadas?

Essas perguntas são maiores do que Lula ou Flávio Bolsonaro.

Porque governos passam...

Presidentes passam....

Famílias políticas também passam...

Mas as instituições permanecem — ou deixam de permanecer.

No dia 25 de outubro, o Brasil escolherá seu próximo presidente.

O resultado poderá definir muito mais do que quem ocupará o Palácio do Planalto.

Poderá definir a dimensão da força política que dominará Brasília nos próximos anos e, principalmente, o grau de resistência das instituições diante dessa nova correlação de forças.

A ameaça à democracia, portanto, não deve ser tratada como uma certeza antecipada nem como uma fantasia descartável.

Deve ser tratada como uma questão que exige vigilância, informação, participação popular e respeito absoluto às regras democráticas.

Porque, no fim, a pergunta que ficará para a história talvez não seja apenas quem venceu a eleição.

Será se o Brasil conseguiu preservar a democracia depois dela?

Da redação do 40 Graus.