O governo federal anunciou uma nova versão do Desenrola, programa criado para facilitar a renegociação de dívidas de pessoas físicas.
Batizado de Desenrola 3.0, o programa prevê que a União compre carteiras de dívidas com descontos de pelo menos 90%.
A proposta é alcançar até R$ 150 bilhões em débitos de famílias brasileiras. Para isso, o governo poderá destinar até R$ 15 bilhões, com recursos previstos nos Orçamentos de 2027 e 2028.
O desconto será definido em leilões entre os credores. A União pretende adquirir as carteiras com deságio e repassar integralmente a redução aos devedores.
O consumidor poderá quitar o valor à vista ou parcelar o saldo restante, conforme as condições que ainda serão definidas.
A terceira edição será destinada a dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, considerando o valor original do débito.
Poderão participar operações inadimplentes há pelo menos dois anos e no máximo quatro anos e meio, tomando como referência 25 de setembro de 2026.
A primeira rodada está prevista para novembro e deverá incluir dívidas de cartão de crédito, crédito rotativo, parcelamentos e empréstimos pessoais sem desconto direto em folha.
Em etapas posteriores, poderão entrar débitos do varejo e de serviços básicos, como água e energia elétrica.
Segundo os dados apresentados pelo governo, o Brasil possui atualmente cerca de R$ 592 bilhões em dívidas negativadas, envolvendo 83,9 milhões de pessoas.
Desse estoque, aproximadamente 55% correspondem a débitos não bancários.
As dívidas com mais de dois anos de atraso somam cerca de R$ 300 bilhões. Dentro dos critérios estabelecidos, o governo estima um universo potencial de até R$ 150 bilhões.
A expectativa, porém, é que aproximadamente R$ 75 bilhões sejam efetivamente renegociados, considerando a adesão de credores e consumidores.
A estimativa oficial é de que até 15 milhões de pessoas sejam beneficiadas.
Segundo o governo, a medida busca reduzir o comprometimento da renda familiar e combater situações de superendividamento.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou: “Estamos propondo nessa nova modalidade do programa (Desenrola) que o Estado entre comprando essas dívidas e alcance 50% do total dessas dívidas bancárias.”
“Estamos falando de limpar dessa carteira R$ 150 bilhões em dívidas. É muito forte, muito potente para que essas famílias possam recomeçar”, declarou o ministro.
Os credores deverão apresentar propostas de desconto para suas carteiras. As ofertas serão classificadas de acordo com o maior deságio apresentado.
Uma das regras previstas determina que o credor disponibilize todos os créditos elegíveis de cada devedor, sem selecionar individualmente quais dívidas serão incluídas.
A operação poderá envolver a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios.
Após a aquisição, o desconto obtido pela União será repassado ao consumidor.
O devedor poderá pagar à vista com o mesmo percentual de redução ou parcelar o saldo restante, acrescido de juros, conforme regras que ainda serão estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.
A medida provisória que cria o Desenrola 3.0 deve ser publicada ainda em setembro de 2026.
O chamamento para os credores apresentarem suas propostas está previsto para novembro. Em dezembro, deverão ser entregues as ofertas pelas instituições participantes.
A homologação dos resultados está prevista para janeiro de 2027.
Já em fevereiro de 2027, devem começar a assinatura dos contratos e o repasse dos descontos aos devedores, para pagamento à vista ou parcelamento.
O Desenrola 3.0 foi anunciado menos de um mês após o encerramento da segunda versão do programa.
Nas edições anteriores, o governo atuou principalmente na facilitação das renegociações, sem adquirir diretamente as carteiras de dívidas das instituições financeiras.
Da redação do 40 Graus.