Economia “Desenrola”
Desenrola 3.0: Governo quer comprar até R$ 150 bilhões em dívidas e promete descontos de pelo menos 90%
Nova versão do programa poderá beneficiar até 15 milhões de brasileiros; União prevê investir até R$ 15 bilhões para renegociar débitos de famílias inadimplentes
26/09/2026 13h51
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Metro1

O governo federal anunciou uma nova versão do Desenrola, programa criado para facilitar a renegociação de dívidas de pessoas físicas.

Batizado de Desenrola 3.0, o programa prevê que a União compre carteiras de dívidas com descontos de pelo menos 90%.

A proposta é alcançar até R$ 150 bilhões em débitos de famílias brasileiras. Para isso, o governo poderá destinar até R$ 15 bilhões, com recursos previstos nos Orçamentos de 2027 e 2028.

O desconto será definido em leilões entre os credores. A União pretende adquirir as carteiras com deságio e repassar integralmente a redução aos devedores.

O consumidor poderá quitar o valor à vista ou parcelar o saldo restante, conforme as condições que ainda serão definidas.

Quem poderá participar

A terceira edição será destinada a dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, considerando o valor original do débito.

Poderão participar operações inadimplentes há pelo menos dois anos e no máximo quatro anos e meio, tomando como referência 25 de setembro de 2026.

A primeira rodada está prevista para novembro e deverá incluir dívidas de cartão de crédito, crédito rotativo, parcelamentos e empréstimos pessoais sem desconto direto em folha.

Em etapas posteriores, poderão entrar débitos do varejo e de serviços básicos, como água e energia elétrica.

Até 15 milhões de brasileiros

Segundo os dados apresentados pelo governo, o Brasil possui atualmente cerca de R$ 592 bilhões em dívidas negativadas, envolvendo 83,9 milhões de pessoas.

Desse estoque, aproximadamente 55% correspondem a débitos não bancários.

As dívidas com mais de dois anos de atraso somam cerca de R$ 300 bilhões. Dentro dos critérios estabelecidos, o governo estima um universo potencial de até R$ 150 bilhões.

A expectativa, porém, é que aproximadamente R$ 75 bilhões sejam efetivamente renegociados, considerando a adesão de credores e consumidores.

A estimativa oficial é de que até 15 milhões de pessoas sejam beneficiadas.

Segundo o governo, a medida busca reduzir o comprometimento da renda familiar e combater situações de superendividamento.

O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou: “Estamos propondo nessa nova modalidade do programa (Desenrola) que o Estado entre comprando essas dívidas e alcance 50% do total dessas dívidas bancárias.”

“Estamos falando de limpar dessa carteira R$ 150 bilhões em dívidas. É muito forte, muito potente para que essas famílias possam recomeçar”, declarou o ministro.

Como funcionarão os leilões

Os credores deverão apresentar propostas de desconto para suas carteiras. As ofertas serão classificadas de acordo com o maior deságio apresentado.

Uma das regras previstas determina que o credor disponibilize todos os créditos elegíveis de cada devedor, sem selecionar individualmente quais dívidas serão incluídas.

A operação poderá envolver a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios.

Após a aquisição, o desconto obtido pela União será repassado ao consumidor.

O devedor poderá pagar à vista com o mesmo percentual de redução ou parcelar o saldo restante, acrescido de juros, conforme regras que ainda serão estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.

Cronograma

A medida provisória que cria o Desenrola 3.0 deve ser publicada ainda em setembro de 2026.

O chamamento para os credores apresentarem suas propostas está previsto para novembro. Em dezembro, deverão ser entregues as ofertas pelas instituições participantes.

A homologação dos resultados está prevista para janeiro de 2027.

Já em fevereiro de 2027, devem começar a assinatura dos contratos e o repasse dos descontos aos devedores, para pagamento à vista ou parcelamento.

O Desenrola 3.0 foi anunciado menos de um mês após o encerramento da segunda versão do programa.

Nas edições anteriores, o governo atuou principalmente na facilitação das renegociações, sem adquirir diretamente as carteiras de dívidas das instituições financeiras.

Da redação do 40 Graus.