O STF autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de ACM Neto no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master. A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça e estava sob segredo de Justiça.
A medida veio a público após documento encaminhado ao presidente do Supremo, Edson Fachin, revelando uma nova frente de apuração envolvendo o político baiano.
ACM Neto passou a ser citado no caso após as investigações identificarem pagamentos feitos pelo banco e pela Reag para uma empresa de consultoria ligada a ele.
A investigação ganhou repercussão após uma proposta de delação apresentada por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master.
Segundo o relato atribuído a Vorcaro, ACM Neto e Antonio Rueda, presidente do União Brasil, teriam atuado na captação de recursos de institutos de previdência para o banco em troca de 10% dos valores investidos.
Ainda segundo o relato, os negócios poderiam ter criado uma obrigação de até R$ 200 milhões com os dois políticos. Vorcaro, porém, não teria informado quanto foi efetivamente pago.
A proposta de delação acabou rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, sob a alegação de falta de informações inéditas e de garantias para o ressarcimento dos valores relacionados às fraudes investigadas.
A revelação sobre a quebra dos sigilos ocorre enquanto ACM Neto também é citado em outra investigação: a Operação Overclean.
Segundo a PF, foram identificadas 232 chamadas pelo WhatsApp entre ACM Neto e José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, entre agosto e dezembro de 2024.
Moura foi indiciado por corrupção, fraude em licitação e desvio de dinheiro.
Os investigadores também analisaram conversas relacionadas a indicações para cargos públicos. De acordo com a PF, Marcos teria afirmado que precisava consultar ACM Neto antes de definir indicações para a Prefeitura de Belo Horizonte.
A Polícia Federal sustentou ainda que ACM Neto apareceria em uma posição política superior à de Moura dentro da estrutura investigada.
A PF chegou a solicitar busca e apreensão contra o ex-prefeito. O pedido recebeu parecer favorável da PGR, mas foi negado pelo ministro Kassio Nunes Marques, que considerou insuficientes os elementos apresentados para justificar a diligência.
As relações políticas e empresariais de ACM Neto também já foram alvo de questionamentos durante sua administração em Salvador.
Na ocasião, a Folha de S.Paulo publicou informações sobre empresas pertencentes a parentes de integrantes ou aliados de sua gestão que teriam recebido centenas de milhões de reais em contratos municipais.
Com a quebra dos sigilos determinada pelo STF, o caso Master acrescenta uma nova frente às investigações que envolvem o ex-prefeito de Salvador e atual nome do União Brasil na política baiana.
Da redação do 40 Graus.