Agronegócio Sementes
Sementes que valem ouro: Matopiba aposta em genética e tecnologia para turbinar as próximas safras
Região que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia se consolida como polo estratégico de sementes e ganha importância diante da expansão da produção brasileira de grãos.
19/09/2026 16h28
Por: F. Silva Fonte: Com informações do BNews

O Matopiba, formado por áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, vem ampliando sua importância no agronegócio brasileiro. A região se destaca na produção de sementes de soja, algodão, milho, sorgo e espécies forrageiras. 

O avanço ocorre em um momento de forte crescimento da agricultura nacional. Segundo a Conab, a safra 2025/26 deve alcançar 360,8 milhões de toneladas de grãos, alta de 2,4% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada está estimada em 83,5 milhões de hectares. 

A soja deve responder por 180,5 milhões de toneladas, enquanto o algodão deve alcançar 4,1 milhões de toneladas de pluma. Os números reforçam a importância da escolha de materiais genéticos adaptados às condições de cada região. 

É nesse ponto que a semente ganha protagonismo. Ela carrega características desenvolvidas pela pesquisa, como produtividade, adaptação, resistência e qualidade.

Para chegar ao produtor, o insumo passa por uma cadeia especializada. O processo envolve produção com sementes-matriz, condução dos campos, colheita, beneficiamento, classificação, tratamento, armazenamento e análises de qualidade.

Cada etapa é importante para preservar o potencial genético, físico, fisiológico e sanitário da semente e fazer com que a tecnologia chegue ao campo em condições adequadas.

Tecnologia começa na semente

Mais do que um insumo, a semente funciona como um pacote tecnológico. É por meio dela que resultados do melhoramento genético e da biotecnologia chegam às lavouras.

A escolha do material influencia o estabelecimento da cultura, a adaptação ao solo e ao clima e o potencial produtivo da lavoura.

“A semente é o principal investimento tecnológico que chega ao campo. O valor deste importante insumo representa menos de 10% do custo total da lavoura, mas é determinante para o sucesso dos demais investimentos que representam 90% do custo de produção.”, afirma Celito Missio, presidente da Associação dos Produtores de Sementes dos Estados do Matopiba (Aprosem). 

Segundo Missio, escolher uma semente significa também escolher genética e tecnologia para a próxima safra.

O Matopiba já produz aproximadamente 13 milhões de sacas de sementes de soja, volume suficiente para o plantio de cerca de 17% das lavouras brasileiras da oleaginosa. 

Pesquisa antes da lavoura

Por trás de uma semente de qualidade existe um longo processo de pesquisa, seleção, melhoramento genético, testes de adaptação, avaliação agronômica, multiplicação e controle de qualidade.

Esse trabalho busca desenvolver materiais capazes de responder aos diferentes desafios encontrados no campo.

“A produtividade não começa quando a lavoura está implantada. Ela começa muito antes, na pesquisa, no melhoramento e na produção de sementes de qualidade.”, destaca Missio. 

Com a expansão da agricultura e a busca por maior eficiência, o setor sementeiro passa a ocupar uma posição cada vez mais estratégica.

No Matopiba, onde a produção de grãos e fibras avança, genética, tecnologia e qualidade se tornam elementos centrais para sustentar as próximas safras.

Observação: as informações sobre a Conab foram conferidas no levantamento oficial mais recente disponível, publicado em 13 de agosto de 2026. (Serviços e Informações do Brasil) A matéria original do BNews também confirma os dados sobre a cadeia de sementes, a produção regional e as declarações de Celito Missio. 

Da Redação...