Brasil Caso Master
Caso Master: PF suspeita de propina em aplicação de R$ 15 milhões de Camaçari
Relatório da Polícia Federal aponta possível pagamento de até 20% em vantagens indevidas a dirigentes do instituto de previdência durante a gestão do ex-prefeito Elinaldo Araújo.
16/09/2026 12h24
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Metro1

Um relatório da Polícia Federal (PF) incluído nos autos do caso Banco Master, no Supremo Tribunal Federal (STF), aponta suspeitas relacionadas à aplicação de R$ 15 milhões do Instituto de Seguridade do Servidor Municipal de Camaçari no fundo Sculptor.

O investimento foi realizado em 21 de novembro de 2017, durante a gestão do então prefeito Elinaldo Araújo, atualmente filiado ao União Brasil e aliado político de ACM Neto.

Segundo o documento, a aplicação ocorreu quando já existiam problemas de liquidez no fundo. A PF aponta ainda a possibilidade de pagamento de propina de até 20% a dirigentes responsáveis pela operação.

"Camaçari aportou R$15MM no fundo SCULPTOR em um momento em que já se sabia de problemas na carteira do fundo. Foi o último cotista a entrar, tendo o fundo permanecido fechado por falta de liquidez desde então", afirma o relatório.

A análise foi produzida pelo laboratório de tecnologia contra lavagem de dinheiro da Superintendência da PF em São Paulo.

Em outro trecho, os investigadores levantam a hipótese de que Renato de Matteo Reginatto, sócio da Di Matteo Consultoria Financeira, teria oferecido vantagens indevidas para viabilizar o investimento.

"Inferimos que o consultor MATTEO ofereceu vantagens indevidas aos dirigentes de CAMAÇARI em troca do aporte de R$15MM no fundo SCULPTOR", registra o documento.

De acordo com a PF, os recursos pertenciam ao instituto responsável pela previdência dos servidores municipais. A investigação sustenta que o dinheiro não teria sido utilizado para a aquisição de ativos específicos.

A suspeita de direcionamento das aplicações estaria relacionada a um documento apreendido na sede da gestora, no qual aparecem municípios acompanhados das respectivas "comissões por indicações".

A nomeação da direção do instituto de previdência cabia ao prefeito de Camaçari à época.

ACM Neto e o Banco Master

O caso também envolve o nome de ACM Neto. Uma proposta de delação premiada não homologada, apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, afirma que o ex-prefeito de Salvador teria atuado para direcionar cerca de R$ 2 bilhões de institutos de previdência para o Banco Master.

Segundo o relato apresentado por Vorcaro, a contrapartida poderia chegar a R$ 200 milhões, equivalente a 10% do valor movimentado.

O banqueiro também afirmou que ACM Neto mantinha uma espécie de "conta corrente" no banco para acompanhar valores relacionados às comissões.

Ainda de acordo com a proposta de delação, parte dos pagamentos teria sido realizada em espécie ou por meio de contratos que Vorcaro classificou como "de fachada".

As informações fazem parte de documentos e relatos sob investigação. A proposta de delação mencionada não foi homologada pela Justiça.

Da Redação...