Polícia Trabalho Escravo
Operação Resgate VI resgata 479 trabalhadores em condições análogas à escravidão
Ações realizadas em agosto identificaram vítimas em atividades rurais e urbanas; Minas Gerais concentrou a maior parte dos resgates.
10/09/2026 21h00
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Meio Norte

Pelo menos 479 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão durante a Operação Resgate VI, realizada em agosto pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O balanço da operação foi divulgado nesta quarta-feira (9).

Ao todo, foram realizadas 231 ações fiscais em diferentes regiões do país. Entre os trabalhadores resgatados, 75 eram mulheres, além de 13 crianças e adolescentes.

A operação também identificou 66 trabalhadores migrantes provenientes de Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.

A Região Sudeste concentrou o maior número de resgates, com 267 trabalhadores, sendo 208 em Minas Gerais.

O meio rural foi o principal cenário das fiscalizações. Ele concentrou 57,5% das ações e resultou no resgate de 292 trabalhadores.

No setor urbano, foram realizadas 36,5% das fiscalizações, com 178 trabalhadores resgatados. Já no trabalho doméstico, 14 empregadores foram fiscalizados, resultando no resgate de nove trabalhadores.

Entre as atividades com maior número de vítimas estão a construção em geral, com 85 trabalhadores resgatados, e o cultivo de café, com 53.

Também foram registrados casos no cultivo de cebola, com 47 resgatados; cultivo de batata-inglesa, com 44; outras lavouras temporárias, com 43; e coleta de produtos não madeireiros em florestas nativas, com 29.

Os números indicam uma concentração das ocorrências em atividades ligadas à produção agrícola, construção civil e extrativismo.

Durante a operação, o Ministério Público do Trabalho (MPT) firmou três Termos de Ajuste de Conduta (TACs) e ajuizou quatro ações civis públicas contra empregadores envolvidos nas irregularidades.

As medidas resultaram em R$ 455,5 mil em indenizações por dano moral coletivo e R$ 675,5 mil por dano moral individual.

Os empregadores foram obrigados a interromper as atividades irregulares, rescindir os contratos de trabalho e formalizar retroativamente os vínculos empregatícios.

Além disso, foram pagos mais de R$ 1,4 milhão em verbas trabalhistas e rescisórias aos trabalhadores resgatados.

As vítimas também tiveram acesso ao seguro-desemprego especial, correspondente a seis parcelas de um salário mínimo cada.

Da Redação...