A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou neste sábado (29), que o país mantém a propriedade e a soberania sobre suas reservas de petróleo.
A declaração ocorreu um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um acordo que garante aos americanos controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas venezuelanas comprovadas.
O pacto prevê a atuação de empresas privadas no desenvolvimento de 17 campos estratégicos da Venezuela.
O objetivo declarado é recuperar a indústria petrolífera do país, ampliar a produção e garantir uma maior oferta de petróleo para o mercado norte-americano. A produção venezuelana está atualmente em torno de 1,25 milhão de barris por dia.
As reservas comprovadas da Venezuela são estimadas em aproximadamente 303 bilhões de barris, o maior volume conhecido no mundo. Os 65 bilhões envolvidos no acordo representam cerca de 21% desse total.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades, o acordo poderá atrair cerca de US$ 100 bilhões em investimentos para a recuperação da infraestrutura petrolífera venezuelana.
O governo de Rodríguez estima ainda que o pacto possa gerar aproximadamente US$ 209 bilhões em receitas para o Estado venezuelano.
Trump classificou o acordo como o “maior negócio de petróleo da história” e afirmou que a medida poderá contribuir para a redução dos preços dos combustíveis nos Estados Unidos.
A negociação acontece meses após a saída de Nicolás Maduro do poder, em janeiro, durante uma operação militar norte-americana.
Desde então, o governo Trump passou a pressionar pela reorganização do setor petrolífero venezuelano e pelo aumento do fornecimento de petróleo aos Estados Unidos.
Apesar do anúncio, detalhes jurídicos e financeiros do acordo ainda permanecem sob questionamento. A principal divergência está justamente na extensão do controle norte-americano sobre a exploração das reservas, enquanto Caracas insiste na manutenção da soberania venezuelana sobre seus recursos naturais.
Da redação do 40 Graus.