Uma nova diretriz mudou as recomendações para o diagnóstico e tratamento de alterações da tireoide durante a gestação.
A atualização foi anunciada nesta sexta-feira (28) pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
A principal mudança envolve gestantes que apresentam anticorpos antitireoidianos positivos, especialmente o anti-TPO, mas mantêm a função da tireoide dentro da normalidade.
Nesses casos, a orientação agora é não utilizar levotiroxina de forma preventiva.
Segundo as novas evidências, o uso do hormônio não demonstrou reduzir os riscos de aborto espontâneo ou parto prematuro em mulheres que apresentam anticorpos positivos, mas não têm alteração hormonal.
A mudança não significa que essas gestantes deixarão de ser acompanhadas.
A presença de anticorpos pode indicar uma predisposição para o desenvolvimento de alterações da tireoide ao longo da gestação. Por isso, a recomendação é manter o monitoramento da função tireoidiana.
O Brasil também decidiu manter o rastreamento de todas as gestantes desde o início da gravidez, diferentemente da nova orientação americana, que prioriza a investigação de mulheres com fatores de risco.
A nova orientação traz alterações para os casos de hipotireoidismo subclínico, situação em que o TSH está elevado, mas o T4 livre permanece normal.
Quando o TSH estiver entre 4 e 10 mUI/L, o tratamento passa a ser priorizado no primeiro trimestre da gravidez.
Se a alteração for identificada apenas no segundo ou terceiro trimestre, a recomendação é, em geral, acompanhar a função da tireoide, sem iniciar levotiroxina de rotina. A exceção são casos em que o TSH ultrapassa 10 mUI/L.
As recomendações brasileiras têm como referência a nova diretriz da American Thyroid Association (ATA), publicada em junho de 2026.
O documento atualiza as orientações que estavam em vigor desde 2017 e reúne novas evidências sobre o diagnóstico e o tratamento das doenças da tireoide antes, durante e depois da gestação.
A mudança busca evitar o uso desnecessário de medicamentos, sem deixar de identificar e tratar as gestantes que realmente apresentam alterações da função tireoidiana.
Da redação do 40 Graus.