Um programa de governo com trechos apontados como possivelmente produzidos por inteligência artificial, vídeos que colocam na mesma cena pessoas gravadas separadamente e um palanque dividido entre Ronaldo Caiado e o grupo de Flávio Bolsonaro. Para o deputado estadual Angelo Almeida (PT), a campanha de ACM Neto acumulou tantos elementos artificiais que deixou uma pergunta no ar: o que há de real nela?
Perícia divulgada pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, apontou 56,7% de probabilidade de origem sintética no programa de governo de Neto. Dos 50 blocos analisados, 12 apresentaram índice superior a 80%.
Durante sabatina conduzida pelo jornalista Pablo Reis, na TV Aratu, ACM Neto afirmou que Mônica Bergamo publicou "uma mentira" e criticou o estudo por considerá-lo inconclusivo. Na mesma entrevista, porém, admitiu que ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas para correção ortográfica e pesquisa em bases de dados públicas.
Nos materiais de campanha com candidatos aliados, Neto grava sua participação separadamente, enquanto os demais políticos registram as suas em outro momento. A tecnologia, então, une as imagens em uma única cena. O candidato nega o uso de inteligência artificial nesse processo, mas confirma que as gravações foram feitas em momentos distintos.
"As pessoas são reais. Só o encontro é que nunca aconteceu. Na campanha de Neto, até a presença precisa de pós-produção", afirmou Angelo Almeida.
As críticas também alcançam o cenário nacional. Embora ACM Neto declare apoio pessoal a Ronaldo Caiado na disputa presidencial, o PL integra oficialmente sua coligação na Bahia, e João Roma, candidato ao Senado em sua chapa, faz campanha para Flávio Bolsonaro. Para Angelo Almeida, a contradição reforça a falta de coerência política da candidatura.
Da Redação.