O influenciador Paulo Figueiredo voltou a atacar jornalistas durante uma transmissão ao vivo realizada na terça-feira (28). Em tom ofensivo, ele acusou profissionais da imprensa de receberem dinheiro público para defender o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante a transmissão, Figueiredo afirmou que jornalistas seriam “putas pagas” e “prostitutas de alma”. Segundo ele, profissionais que atuam em veículos como a GloboNews receberiam recursos do governo federal por meio de publicidade estatal.
As acusações foram feitas sem que, na transmissão, fossem apresentadas provas que sustentassem a alegação de que os jornalistas citados receberiam pagamentos do governo em troca de suas opiniões.
Na sequência, o influenciador direcionou os ataques à jornalista Míriam Leitão, utilizando uma referência à declaração feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro contra a deputada Maria do Rosário.
Em 2014, Bolsonaro afirmou que não estupraria Maria do Rosário porque ela seria “feia” e não faria seu tipo. As declarações posteriormente resultaram em condenações judiciais por danos morais.
Ao mencionar Míriam Leitão, Figueiredo disse que ela poderia estar desempregada ou até se prostituindo caso não trabalhasse na Globo e afirmou ter “dúvidas” sobre eventual demanda caso ela exercesse a prostituição.
A declaração provocou críticas por associar uma jornalista a referências sexuais e a uma violência extrema contra mulheres.
A ofensiva contra jornalistas ocorre em um contexto de outros episódios envolvendo Paulo Figueiredo.
Em maio, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou uma manifestação de Figueiredo relacionada a um episódio envolvendo o então deputado Eduardo Bolsonaro e um jornalista que esteve na residência do político no Texas.
Segundo a entidade, Figueiredo utilizou o episódio para fazer uma ameaça de violência contra jornalistas. A Abraji classificou como preocupante a tentativa de intimidar profissionais de imprensa e afirmou que ataques sistemáticos podem estimular uma sociedade hostil ao trabalho jornalístico.
O influenciador também já foi alvo de críticas por ataques direcionados especificamente a mulheres.
Em junho, Paulo Figueiredo afirmou, durante outra transmissão, que mulheres “votam estatisticamente muito mal”, especialmente as solteiras.
Segundo ele, mulheres casadas tenderiam, em geral, a acompanhar o voto dos maridos, enquanto as solteiras não apresentariam o mesmo comportamento.
Na mesma transmissão, ao se referir a mulheres feministas, Figueiredo fez comentários de cunho sexual sobre roupas íntimas. As declarações foram registradas pela imprensa e provocaram repercussão.
O episódio foi apresentado pelo próprio influenciador como uma crítica à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que havia feito críticas públicas a Flávio Bolsonaro.
Paulo Figueiredo mantém proximidade política com integrantes da família Bolsonaro e atua nos Estados Unidos.
Em 26 de maio, ele acompanhou o senador Flávio Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro em uma reunião com o presidente norte-americano Donald Trump, na Casa Branca, em Washington.
O encontro foi registrado em fotografias e contou com a presença de Figueiredo ao lado dos dois filhos do ex-presidente brasileiro.
A aproximação ganhou relevância no contexto da pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República e de sua tentativa de fortalecer a relação política com Trump.
As manifestações mais recentes se somam a outros episódios de confronto de Paulo Figueiredo com jornalistas.
Em maio, a Abraji afirmou que o influenciador e Eduardo Bolsonaro adotaram uma postura de intimidação contra profissionais da imprensa e alertou para o risco de banalização da violência contra jornalistas.
O episódio envolvendo Míriam Leitão, por sua vez, retoma uma prática já conhecida no debate político brasileiro: ataques a jornalistas mulheres acompanhados de referências à aparência, à sexualidade ou à violência sexual.
As novas declarações de Figueiredo ampliam esse histórico e colocam novamente no centro do debate os limites entre crítica política, ofensa pessoal e ataques direcionados à imprensa.
Da Redação.