Política Brasil e China
China sinaliza interesse em ampliar parceria com Brasil na cadeia de terras raras
País asiático pode compartilhar tecnologias de separação e processamento dos minerais, enquanto Brasil busca atrair investimentos para desenvolver uma cadeia produtiva nacional.
28/07/2026 21h20
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Metro1

A China sinalizou interesse em ampliar a cooperação com o Brasil no desenvolvimento da cadeia produtiva de terras raras, incluindo o compartilhamento de tecnologias de separação e processamento dos minerais.

A informação foi divulgada nesta terça-feira (28) pelo presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, durante entrevista coletiva.

Segundo Cesário, representantes da embaixada chinesa e outros interlocutores indicaram que Pequim está aberta a estabelecer parcerias com o Brasil no setor.

O dirigente afirmou que não vê restrições à cooperação com a China, os Estados Unidos ou outros investidores, inclusive em áreas estratégicas como a separação de terras raras.

Apesar da sinalização, ainda não há uma proposta formal apresentada pelo governo chinês ou por empresas do país.

O interesse ocorre em meio à crescente disputa internacional pelo acesso a minerais críticos, utilizados na fabricação de motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, baterias e sistemas de defesa.

A China lidera o processamento mundial de terras raras e concentra grande parte das tecnologias de separação e refino, etapas consideradas estratégicas para agregar valor aos minerais.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos buscam ampliar a cooperação com o Brasil para reduzir a dependência da cadeia produtiva dominada pelos chineses.

No Brasil, os principais projetos do setor estão ligados a empresas listadas em bolsas da Austrália, do Canadá e dos Estados Unidos.

O projeto mais avançado é o da Serra Verde, em Goiás, atualmente a única produtora comercial de terras raras do país. A empresa anunciou uma parceria com a norte-americana USA Rare Earth.

O governo brasileiro defende que os acordos internacionais contribuam não apenas para a exploração das reservas, mas também para a instalação de estruturas de processamento, refino e industrialização no território nacional.

A avaliação do setor é que o interesse simultâneo de China e Estados Unidos pode fortalecer o poder de negociação do Brasil e atrair novos investimentos para a criação de uma cadeia produtiva nacional de minerais estratégicos.

Da Redação.