O mercado internacional do açúcar encerrou a terça-feira (21) em recuperação nas principais bolsas globais. A alta foi impulsionada pelo fortalecimento do petróleo e pela cautela dos investidores diante das condições climáticas nos grandes países produtores.
No Brasil, porém, o cenário foi diferente. Os preços do açúcar cristal e do etanol hidratado voltaram a recuar, pressionados pelo aumento da oferta e pela demanda mais fraca no mercado físico.
A movimentação mostra a diferença entre os fatores que influenciam os mercados externo e interno. Enquanto os investidores internacionais acompanham o clima, a energia e as perspectivas para a produção global, o mercado brasileiro enfrenta os efeitos do avanço da safra e da maior disponibilidade de produto.
Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos de açúcar bruto encerraram o pregão em alta.
O vencimento de outubro de 2026 avançou 0,06 ponto e fechou a 14,88 cents de dólar por libra-peso. Já o contrato de março de 2027 subiu para 15,80 cents/lbp, enquanto maio de 2027 terminou a sessão em 15,62 cents/lbp.
O movimento foi sustentado principalmente pela valorização do petróleo. Com a energia mais cara, aumenta a atratividade da produção de etanol pelas usinas, o que pode reduzir a quantidade de cana destinada à fabricação de açúcar.
Na ICE Futures Europe, o açúcar branco acompanhou a recuperação observada em Nova York.
O contrato para outubro de 2026 fechou a US$ 469,30 por tonelada, alta de US$ 2,10. Para dezembro de 2026, a cotação terminou em US$ 467,80 por tonelada, enquanto março de 2027 encerrou o dia a US$ 467,40.
Apesar de moderada, a alta indica uma melhora no sentimento dos investidores em relação às perspectivas para o mercado internacional.
No mercado físico brasileiro, a pressão sobre os preços continuou.
O indicador do açúcar cristal branco calculado pelo Cepea/Esalq apontou negociação da saca de 50 quilos a R$ 91,13, queda diária de 1,19%.
Em julho, o indicador acumula retração de 0,15%. O resultado reflete a elevada oferta disponível e o ritmo mais lento das negociações entre compradores e vendedores.
O mercado de etanol também permanece pressionado. Segundo o Indicador Diário de Paulínia, o etanol hidratado foi negociado a R$ 2.192,50 por metro cúbico, recuo de 0,93% em relação ao fechamento anterior.
No acumulado de julho, a queda chega a 7,31%.
A desvalorização está relacionada principalmente ao avanço da moagem da cana-de-açúcar e à maior disponibilidade de etanol no mercado doméstico.
A valorização do petróleo continua sendo um dos principais fatores de sustentação para os preços internacionais do açúcar.
Com a alta da energia, o etanol ganha competitividade e pode estimular as usinas a direcionarem uma parcela maior da cana para a produção de biocombustível. Esse movimento tende a reduzir a oferta de açúcar no mercado internacional.
Por outro lado, a recuperação das chuvas durante a temporada de monções na Índia diminui parte das preocupações com a produção do país, um dos maiores produtores mundiais da commodity.
Esse cenário limita movimentos mais fortes de alta nas bolsas.
Os operadores também monitoram o elevado volume de posições compradas mantidas pelos fundos de investimento. A concentração dessas posições pode aumentar a volatilidade e provocar oscilações mais acentuadas nas próximas sessões.
Nos próximos dias, o mercado deve continuar atento ao comportamento do petróleo, às condições climáticas nos principais países produtores e ao avanço da safra brasileira.
No mercado interno, a tendência é de manutenção da pressão sobre os preços enquanto a moagem permanecer em ritmo elevado e a oferta continuar crescendo.
No exterior, o petróleo, o clima na Índia e a movimentação dos fundos de investimento devem seguir entre os principais fatores de influência sobre as cotações do açúcar.
Fonte: Portal do Agronegócio.