A soja voltou a ganhar força nos mercados internacional e brasileiro, melhorando o humor dos produtores e estimulando as negociações para a safra 2026/27. A recuperação é sustentada pela alta na CBOT, pelos prêmios de exportação firmes, pela demanda consistente e pela valorização nos portos brasileiros.
Em Chicago, os contratos futuros permanecem próximos das máximas dos últimos dois meses. O mercado acompanha de perto o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, as condições climáticas no Corn Belt, as compras da China, o comportamento do dólar e a demanda mundial por derivados.
O clima segue como um dos principais fatores de volatilidade. Cerca de 66% das lavouras norte-americanas estão em condições boas ou excelentes, mas possíveis ondas de calor durante o enchimento dos grãos ainda preocupam os investidores.
O cenário geopolítico também influencia o complexo soja. A guerra no Oriente Médio mantém pressão sobre o petróleo e dá suporte aos mercados de óleos vegetais, enquanto o farelo de soja continua firme diante da demanda da indústria de proteína animal.
No Brasil, os maiores avanços são registrados nos portos exportadores. Paranaguá, Rio Grande e São Francisco do Sul estão entre os principais destaques, enquanto regiões produtoras como Mato Grosso, Goiás, Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul também registram recuperação nas cotações.
A melhora dos preços começa a estimular a comercialização e a compra de insumos para o próximo ciclo. Com a proximidade do plantio da safra 2026/27, previsto para setembro e outubro, produtores retomam gradualmente o planejamento das atividades.
Apesar do cenário mais favorável, os gargalos logísticos continuam limitando os ganhos no interior. A falta de armazenagem, a disputa por espaço nos silos, os custos elevados de diesel e os fretes pressionados seguem entre os principais desafios do setor.
Em Mato Grosso do Sul, o déficit de armazenagem supera 12 milhões de toneladas. Já em Mato Grosso, o forte ritmo das exportações aumenta a disputa por espaço e influencia diretamente a formação dos preços.
Com o dólar perdendo força, o mercado passa a depender ainda mais da combinação entre Chicago, prêmios elevados e demanda aquecida. A expectativa é de continuidade da recuperação, embora a volatilidade permaneça elevada.
Fonte: Portal do Agronegócio.