O secretário Luciano Sandes, que integrou as gestões de ACM Neto e Bruno Reis, foi afastado pela Justiça nesta semana.
Segundo o Ministério Público, ele teria desempenhado papel estratégico na coordenação das prefeituras-bairro, estruturas apontadas por vereadores da oposição como importantes instrumentos de articulação política em Salvador.
De acordo com relatos de parlamentares, as prefeituras-bairro teriam sido distribuídas entre vereadores da base do prefeito.
Essas estruturas concentram cargos, contratos, equipamentos, veículos e serviços de manutenção, fortalecendo a atuação política dos aliados do Executivo.
Entre os exemplos citados estão as unidades de Cajazeiras, Itapuã, Barra/Pituba, Subúrbio/Ilhas e Centro/Brotas, cada uma vinculada a diferentes vereadores da base governista.
Um servidor da Câmara Municipal, que pediu anonimato por receio de represálias, afirmou que a cidade teria sido "fatiada" entre aliados políticos.
Segundo ele, muitos serviços dependeriam da influência de vereadores, enquanto Sandes seria o principal articulador do modelo, garantindo vantagens eleitorais e administrativas ao grupo.
Na operação que resultou no afastamento de Sandes e do vereador Gordinho da Favela, o MP afirma ter identificado uma suposta organização criminosa em atuação há cerca de dez anos.
A investigação aponta a existência de núcleos empresarial, operacional e de agentes públicos, com uso de licitações supostamente fraudadas para favorecer empresas ligadas ao mesmo grupo econômico.
Ainda conforme o Ministério Público, Sandes teria facilitado a permanência das empresas investigadas em contratos da administração municipal.
Segundo o MP, ele também teria influenciado a liberação de pagamentos e a aprovação de aditivos contratuais. As investigações seguem em andamento, e os citados têm direito ao contraditório e à ampla defesa.
Da Redação.