Política EUA
Brasil mantém negociações com EUA para evitar tarifas e vê influência do cenário eleitoral nas tratativas
Governo brasileiro busca acordo comercial antes do prazo de 15 de julho, enquanto avalia que disputa política pode dificultar entendimento com os Estados Unidos.
28/06/2026 15h57
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Metro1

O Brasil segue em negociação com os Estados Unidos para tentar evitar a aplicação de tarifas extras de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. As tratativas ocorrem em meio à avaliação do governo de que o tema foi politizado e pode estar relacionado ao cenário eleitoral brasileiro de 2026.

Segundo os negociadores, um acordo comercial seria mais vantajoso para ambos os países do que a adoção das novas taxas. O governo brasileiro também considera que a Casa Branca acompanha o contexto político brasileiro e pode levar esse fator em consideração durante as negociações.

Na última quarta-feira (24), o Itamaraty afirmou, em publicação na rede social X, que o tarifaço tem origem em uma tentativa de interferência externa na Justiça brasileira. O ministério destacou ainda que mantém diálogo pelos canais oficiais para demonstrar que as políticas do país não prejudicam o comércio com os EUA.

Nesta sexta-feira (26), após participar de um evento sobre Mercosul e União Europeia, em São Paulo, o vice-presidente Geraldo Alckmin criticou a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, nas negociações com os norte-americanos. "Na realidade, são maus brasileiros que trabalharam contra o Brasil e agora estão tentando remediar o que foi feito", declarou.

O prazo para definir a aplicação das tarifas termina em 15 de julho. Até lá, o governo brasileiro manterá uma agenda de reuniões com representantes da Casa Branca e acredita que, apesar das dificuldades, ainda é possível alcançar um entendimento.

Nos bastidores, a avaliação é de que um eventual governo Trump poderá evitar um acordo que fortaleça o governo brasileiro às vésperas das eleições. Dessa forma, as negociações deixariam de ser apenas comerciais e passariam a integrar a estratégia de segurança nacional dos EUA e sua política de reposicionamento internacional.

Com informações da Agência Brasil.