Polícia Rio de Janeiro
MPRJ identifica indícios de obstrução em câmeras corporais de policiais do Bope durante megaoperação
Relatório enviado ao STF aponta bloqueio de imagens, retirada de equipamentos e ausência de prisões nas gravações analisadas.
25/06/2026 23h19
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Bahia Notícias

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) identificou indícios de obstrução intencional de imagens em 7,8% das câmeras corporais analisadas de policiais do Bope que participaram da megaoperação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, em 28 de outubro de 2025. A ação deixou 122 mortos, sendo 117 suspeitos e cinco policiais. O relatório foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A análise envolveu as Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) de 51 policiais. O MPRJ também constatou a retirada dos equipamentos em 17,6% dos casos. Em 11,8% das gravações havia feridos, e, segundo o órgão, em todos esses episódios os agentes prestaram socorro. Nenhuma prisão foi registrada nas imagens examinadas.

Segundo o Ministério Público, a investigação começou pelos policiais do Bope porque depoimentos apontam que a maioria dos agentes que atuou na mata, onde ocorreu grande parte das mortes, integrava o batalhão. Ao todo, mais de 3.600 horas de gravações produzidas por policiais militares seguem em análise.

O procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, afirmou que os dados ainda estão em fase embrionária e serão confrontados com os demais elementos da investigação. Paralelamente, o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) continua ouvindo os policiais envolvidos na operação. Até o último relatório enviado ao STF, 204 agentes já haviam sido ouvidos.

Da Redação...