O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou o retorno do empresário Daniel Vorcaro a uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
A decisão ocorre em meio ao impasse nas negociações da delação premiada do fundador do Banco Master e após reclamações sobre as condições da cela comum onde ele estava preso.
Segundo relatos apresentados à defesa, Vorcaro afirmou que o espaço contava apenas com um vaso sanitário no chão e um cano de água fria utilizado para banho.
Nos bastidores, a decisão coincide com a saída do advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, da defesa do empresário. O criminalista conduzia as tratativas da delação premiada, mas acumulava atritos recentes com André Mendonça.
O desgaste entre o ministro e a defesa teria aumentado após uma audiência em que Mendonça afirmou esperar uma delação mais “verdadeira” por parte de Vorcaro. Na ocasião, Juca respondeu que, caso o acordo fosse rejeitado, recorreria à Segunda Turma do STF para tentar manter a proposta.
Investigadores avaliam que a estratégia da defesa buscava apresentar relatos considerados superficiais, sem aprofundar possíveis vínculos do empresário com autoridades políticas e integrantes de órgãos reguladores.
Outro ponto de resistência envolve a proposta financeira apresentada pela defesa. Inicialmente, Vorcaro teria oferecido a devolução de R$ 40 bilhões, valor posteriormente ampliado para R$ 60 bilhões. O principal impasse, segundo investigadores, seria o prazo de até dez anos para o ressarcimento.
A Polícia Federal já decidiu rejeitar a proposta de delação apresentada pelo empresário. A Procuradoria-Geral da República ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso. A decisão final caberá ao ministro André Mendonça, relator do processo no STF.
Da Redação...