O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi o responsável por viabilizar mais de 90% dos recursos destinados à produção de “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação foi confirmada por Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp, responsável pelo longa.
Segundo Karina, o filme já consumiu cerca de US$ 13 milhões — aproximadamente R$ 65,7 milhões — e ainda necessita de novos aportes para concluir a fase de pós-produção, marcada pela inclusão de efeitos especiais e sonorização. Apesar disso, a produtora afirma que os custos restantes “não são substanciais”, numa declaração que contrasta com o histórico recente de dificuldades financeiras relatadas pela própria equipe.
O senador Flávio Bolsonaro já havia admitido publicamente que mais de US$ 12 milhões foram destinados ao projeto por Vorcaro, valor que corresponde a aproximadamente 92% do orçamento atual do longa. Ainda assim, as versões sobre o papel do banqueiro seguem desencontradas.
Enquanto Flávio Bolsonaro classificou Vorcaro como “investidor” e “patrocinador” do projeto, Karina Ferreira da Gama tenta agora reposicionar o empresário apenas como um “intermediador” de recursos. A mudança de discurso ocorre após a prisão do banqueiro, episódio que lançou ainda mais dúvidas sobre a origem e a estrutura de financiamento do filme.
“Quando ele foi preso, a gente já estava filmando. Eu tinha folha de pagamento para pagar, eu já tinha profissionais para pagar. E nenhum deles sentiu o impacto porque todo mundo arregaçou as mangas”, afirmou Karina em entrevista à TV Globo e à GloboNews.
A produtora relatou ainda que, após a prisão de Vorcaro, a equipe passou a procurar empresários da iniciativa privada para impedir a paralisação do projeto. O cenário descrito revela uma produção altamente dependente de um único financiador e mergulhada numa sucessão de improvisos financeiros e versões conflitantes.
Karina afirma que a GoUp nunca recebeu dinheiro diretamente de Vorcaro nem de empresas ligadas ao banqueiro. Segundo ela, os valores chegaram por meio do fundo Heavengate, sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, aliado político de Eduardo Bolsonaro.
A versão, no entanto, entra em choque com investigações da Polícia Federal, que apontam a empresa Entre Investimentos e Participações — ligada a Vorcaro — como verdadeira origem dos recursos utilizados na produção do longa.
Karina também revelou que outra empresa sob sua direção, a Academia Nacional de Cultura, recebeu R$ 2,4 milhões em emendas PIX para produzir a série documental “Heróis Nacionais — Filhos do Brasil que não se rendem”. O projeto, contudo, acabou interrompido após o bloqueio de uma das emendas parlamentares enviadas pela então deputada Carla Zambelli.
A suspensão foi determinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, ampliando a sequência de controvérsias envolvendo financiamento público, articulações políticas e produção audiovisual ligada ao bolsonarismo.
Ao fim, “Dark Horse” se consolida menos como uma epopeia cinematográfica e mais como um retrato de bastidores turbulentos, marcados por dependência financeira extrema, discursos desencontrados, recursos nebulosos e uma sucessão de personagens já conhecidos do noticiário político-policial brasileiro.
Da Redação do 40 Graus.