Política JK
Relatório da CEMDP conclui que JK foi assassinado pela ditadura militar
O documento de mais de 5 mil páginas contraria versão oficial de acidente automobilístico e aponta perseguição política como a causa da morte do ex-presidente.
08/05/2026 12h49
Por: F. Silva Fonte: Com informações do Metro1

A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), concluiu, em um relatório elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 1976.

O documento contesta a versão oficial sustentada desde a época, que atribuía a morte a um acidente automobilístico ocorrido na Rodovia Presidente Dutra (BR-116), próximo a Resende, no Rio de Janeiro.

O relatório reúne mais de 5 mil páginas entre análises, anexos e revisões de investigações anteriores. Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, a tendência é que o parecer seja aprovado pela maioria dos integrantes da comissão.

JK morreu em 22 de agosto de 1976, quando o Opala em que viajava perdeu o controle e colidiu com uma carreta. O motorista e amigo do ex-presidente, Geraldo Ribeiro, também morreu no episódio.

As investigações conduzidas durante o regime militar e posteriormente pela Comissão Nacional da Verdade concluíram que o acidente teria sido provocado por uma suposta colisão com um ônibus.

O novo documento, entretanto, baseia-se em investigações posteriores, incluindo um inquérito do Ministério Público Federal concluído em 2019. A apuração descartou evidências de choque entre o ônibus e o veículo de JK, além de apontar falhas consideradas graves nas perícias realizadas à época.

Uma das principais bases técnicas do relatório é um estudo conduzido pelo engenheiro Sergio Ejzenberg. A análise revisou laudos antigos e utilizou simulações em 3D para reconstruir o acidente. Segundo o especialista, os documentos que sustentavam a versão oficial apresentavam inconsistências técnicas.

O relatório também destaca o contexto político do período. Cassado após o golpe de 1964, JK era uma das principais lideranças de oposição ao regime militar e integrava a Frente Ampla. O texto menciona ainda a atuação da Operação Condor, aliança entre ditaduras sul-americanas voltada à perseguição de opositores políticos.

Caso o parecer seja aprovado pela comissão, a CEMDP poderá recomendar a retificação da certidão de óbito de Juscelino Kubitschek e de Geraldo Ribeiro, reconhecendo oficialmente que as mortes ocorreram em razão de perseguição política promovida pelo Estado brasileiro.

Da redação do 40 Graus.