Política Embasa
Antigo prédio da Embasa em Salvador será leiloado por R$ 6,7 milhões
Imóvel no Centro da capital abrigou cerca de 290 famílias da Ocupação Carlos Marighella entre 2021 e 2024.
30/04/2026 11h16
Por: F. Silva Fonte: Da Redação do 40 Graus

O antigo prédio da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), localizado na Avenida Sete de Setembro, no Centro de Salvador, será leiloado pelo Governo da Bahia com lance mínimo de R$ 6,7 milhões. O edital foi lançado na terça-feira (28), na sede da Associação Comercial da Bahia (ACB).

A proposta do governo estadual é que o imóvel seja destinado a atividades turísticas, como parte das ações de revitalização do Centro Antigo da capital.


Prédio histórico e localização estratégica

O edifício pertence ao Estado e funcionava como antiga sede da Empresa Baiana de Águas e Saneamento. Com oito andares e 1.960 metros quadrados de área construída, o imóvel está situado na interseção da Ladeira de São Bento com a Praça Castro Alves, uma das áreas mais movimentadas da cidade.

Segundo a Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA), o leilão ocorre em modalidade online, com lances já abertos. O resultado será divulgado no dia 28 de maio, às 11h, com transmissão pelo YouTube.

O secretário de Turismo da Bahia, Maurício Bacelar, afirmou que a iniciativa busca fortalecer o turismo local.

“É mais uma ação para revitalizar o Centro Antigo, atrair investimentos privados e gerar emprego e renda para os baianos”, disse.

Já o presidente da Embasa, Gideone Almeida, destacou que o futuro comprador deverá adaptar o prédio às normas urbanísticas e estruturais.


Ocupação reuniu centenas de famílias

O imóvel foi ocupado em 7 de junho de 2021 por cerca de 200 famílias ligadas ao Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), que nomeou o local como Ocupação Carlos Marighella.

Na época, o prédio estava sem uso e funcionava anteriormente como Centro Educacional Magalhães Neto. Durante a pandemia, faixas com mensagens sobre direito à moradia e isolamento social foram exibidas na fachada.

Ao longo de quase três anos, a ocupação chegou a abrigar cerca de 290 famílias, que reivindicavam a transformação do prédio em habitação social no Centro da cidade.


Desocupação e críticas ao leilão

As famílias deixaram o imóvel em julho de 2024, após um acordo judicial. Segundo representantes do movimento, o prédio voltou a ficar abandonado após a saída dos moradores.

Matheus Portela, ligado ao movimento, afirmou que não houve destinação social para o imóvel e criticou a decisão de leiloá-lo.

“O prédio não cumpria função social antes da ocupação e continua sem cumprir agora. Defendíamos que ele fosse transformado em moradia popular”, declarou.

Segundo ele, apenas cerca de 90 famílias passaram a receber auxílio-aluguel de R$ 450, valor considerado insuficiente para viver em Salvador, além de ser pago de forma irregular.

As demais famílias, de acordo com o movimento, aguardam inclusão em projetos habitacionais vinculados ao programa Minha Casa, Minha Vida Entidades, que ainda não avançaram.


Impactos sociais e debate sobre o Centro

Representantes da ocupação afirmam que muitas famílias seguem em situação de vulnerabilidade, vivendo de favor, em outras ocupações ou em moradias precárias.

Para o movimento, o leilão reforça a especulação imobiliária e contribui para a expulsão de moradores de baixa renda do Centro da cidade.

Enquanto isso, o governo estadual defende que a iniciativa faz parte de uma estratégia de desenvolvimento econômico e revitalização urbana da região.


Da Redação...