Política ACM Neto
Entre críticas e lembranças: ACM Neto dispara contra governo da Bahia — mas esquece o retrovisor
O ex-prefeito de Salvador intensifica os ataques à gestão estadual, questiona as pesquisas e aponta falhas — enquanto críticas levantam dúvidas sobre coerência e memória política.
14/04/2026 09h17
Por: F. Silva Fonte: Da Redação do 40 Graus

Em entrevista à Rádio Baiana FM 89,3, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, voltou a adotar um tom crítico em relação ao governo da Bahia, afirmando que o estado é “grande demais para um governo pequeno”. A declaração reforça a sua estratégia de apontar as fragilidades da atual gestão, liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues.

Segundo Neto, o governo estadual não consegue atender às demandas da população baiana — uma crítica recorrente no discurso de oposição. No entanto, a fala levanta uma questão inevitável: existe, de fato, algum gestor capaz de atender a todas as demandas de um estado com as dimensões e desafios da Bahia?

Durante a entrevista, o ex-prefeito também destacou que, pela primeira vez na história política do estado, um governador em exercício aparece atrás nas pesquisas eleitorais. Para ele, isso seria reflexo direto de uma suposta falta de gestão. Ainda assim, a análise ignora nuances do cenário político e administrativo, além de desconsiderar o histórico recente, quando o mesmo Jerônimo bateu Neto que estava à frente nas pesquisas.

Na prática, observa-se que o governador Jerônimo Rodrigues tem percorrido todas as regiões do estado, buscando atender as demandas locais e fortalecer a sua presença política.

Esse movimento contrasta com a narrativa apresentada por Neto, criando uma espécie de curto-circuito entre discurso e realidade — daqueles que fazem o eleitor coçar a cabeça.

Outro ponto levantado pelo ex-prefeito foi o tempo de permanência do Partido dos Trabalhadores no comando da Bahia. Neto afirmou que o partido está por 20 anos no poder e fez pouco pelo povo. A crítica, porém, esbarra em comparações inevitáveis com gestões anteriores, como a do seu avô, Antônio Carlos Magalhães, período em que a realidade do estado era consideravelmente distinta da atual - um atraso!

Curiosamente, ao mencionar pesquisas, Neto acaba evocando lembranças recentes. Na eleição passada, ele liderava com folga as intenções de voto, enquanto Jerônimo era, para muitos, um nome ainda pouco conhecido. O resultado das urnas, no entanto, contou outra história — e hoje o cenário político tem um governador no cargo e um ex-candidato ainda à procura de novo mandato.

Apesar disso, ACM Neto afirma que seu grupo político possui projetos e ideias para a Bahia. O detalhe, talvez "pequeno" mas essencial, é que transformar propostas em realidade exige mais do que discurso: requer mandato, voto e, claro, vitória nas urnas - o que ACM Neto não teve.

Enquanto isso, no tabuleiro político baiano, segue o jogo — entre críticas afiadas, memórias seletivas e uma pitada inevitável de ironia.

Da Redação...