A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 344,1 milhões de toneladas em 2026, segundo estimativa de fevereiro do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado pelo IBGE. O volume representa uma queda de 0,6% em relação a 2025, quando foram produzidas 346,1 milhões de toneladas — uma redução de aproximadamente 2 milhões de toneladas.
Na comparação com janeiro de 2026, no entanto, houve alta de 0,4%, equivalente a um acréscimo de 1,4 milhão de toneladas, indicando leve recuperação nas projeções.
Apesar da redução na produção total, a área plantada segue em expansão. A estimativa aponta que a área a ser colhida deve atingir 82,9 milhões de hectares, crescimento de 1,6% em relação a 2025, o que corresponde a cerca de 1,3 milhão de hectares adicionais. Em relação a janeiro, o aumento foi de 0,3%, com mais 213 mil hectares.
Os três principais produtos agrícolas do país — soja, milho e arroz — continuam concentrando a maior parte da produção nacional. Juntos, representam 92,8% da produção estimada e 87,5% da área total colhida.
As projeções indicam cenários distintos entre essas culturas:
Soja: 173,3 milhões de toneladas (+4,3%)
Milho: 134,3 milhões de toneladas (-5,3%)
Arroz: 11,6 milhões de toneladas (-8,0%)
No caso do milho, há diferença entre as safras:
1ª safra: 28,9 milhões de toneladas (+12,2%)
2ª safra: 105,4 milhões de toneladas (-9,1%)
Entre outras culturas relevantes, o levantamento aponta retração:
Trigo: 7,7 milhões de toneladas (-1,6%)
Algodão: 8,8 milhões de toneladas (-10,5%)
Sorgo: 4,9 milhões de toneladas (-9,5%)
Feijão: 3,0 milhões de toneladas (-0,2%)
Em termos de área plantada, houve crescimento para soja (+0,8%), milho (+2,4%) e sorgo (+0,5%), enquanto algodão, arroz e feijão registraram queda.
O Centro-Oeste segue como principal polo agrícola do país, com produção estimada em 167,9 milhões de toneladas, o equivalente a 48,8% do total nacional.
A distribuição regional é a seguinte:
Centro-Oeste: 48,8%
Sul: 27,7%
Sudeste: 8,9%
Nordeste: 8,4%
Norte: 6,2%
Na comparação anual, Sul (+10,3%) e Nordeste (+4,2%) apresentaram crescimento, enquanto as demais regiões registraram queda.
O Mato Grosso lidera a produção nacional, com 30,2% do total. Na sequência aparecem:
Paraná (13,9%)
Rio Grande do Sul (11,7%)
Goiás (10,7%)
Mato Grosso do Sul (7,6%)
Minas Gerais (5,5%)
Esses estados concentram 79,6% da produção de grãos do país.
A produção de café também se destaca, com estimativa de 3,8 milhões de toneladas (ou 64,1 milhões de sacas de 60 kg), o que representa:
+3,9% em relação a janeiro
+11,5% frente a 2025
O resultado configura recorde histórico desde 2002.
O café arábica deve atingir 2,6 milhões de toneladas, com Minas Gerais respondendo por 72,6% da produção nacional. Já o café canephora (conilon) está estimado em 1,2 milhão de toneladas, com leve alta mensal, mas queda anual de 3,7%, tendo o Espírito Santo como principal produtor.
A produção de cana-de-açúcar foi estimada em 700,4 milhões de toneladas, com leve recuo de 0,4% em relação a 2025. O estado de São Paulo segue responsável por cerca de metade da produção nacional.
Já a canola apresenta crescimento expressivo, com produção estimada em 298,9 mil toneladas, alta de 13%, concentrada principalmente no Rio Grande do Sul.
A soja brasileira pode alcançar um novo recorde histórico, com produção estimada em 173,3 milhões de toneladas. O crescimento de 4,3% em relação a 2025 é atribuído principalmente às condições climáticas favoráveis e à recuperação da safra no Sul do país.
A área cultivada deve chegar a 48,2 milhões de hectares, com produtividade média de 3.600 kg por hectare.
Apesar das projeções positivas, o clima continua sendo um fator decisivo. A possível atuação do fenômeno El Niño em 2026 pode alterar o regime de chuvas e temperaturas, impactando diretamente culturas como soja, milho e sorgo.
Especialistas alertam que essas variações podem influenciar tanto a produtividade das lavouras quanto as decisões de plantio nas próximas safras.
Da Redação...