A Casa Branca voltou a solicitar ao Congresso uma redução de quase 50% no orçamento científico da Nasa, repetindo uma proposta semelhante apresentada no ano anterior, mas que acabou rejeitada pelos parlamentares.
Divulgado na manhã de sexta-feira (3), o novo plano prevê um corte de aproximadamente US$ 6 bilhões no orçamento total da agência espacial. Caso seja aprovado, o valor representará uma redução de quase um quarto dos recursos da Nasa, mesmo após o Congresso ter mantido, em 2025, os níveis de financiamento herdados da gestão Biden.
Entre os principais pontos da proposta está a diminuição de US$ 3,4 bilhões nos programas científicos da agência, o que pode resultar no cancelamento de cerca de 40 missões espaciais. Embora a Casa Branca não tenha detalhado quais projetos seriam afetados, propostas anteriores já indicavam o encerramento de programas de exploração de Marte, telescópios de raios X e satélites de pesquisa.
No ano passado, um dos alvos dos cortes foi o projeto de coleta de amostras de Marte, citado pela Casa Branca como exemplo de gasto considerado dispensável.
A proposta surge em meio aos planos do administrador da Nasa, Jared Isaacman, de acelerar o programa espacial dos Estados Unidos. Em março, Isaacman anunciou mudanças na agência, incluindo a adoção de foguetes comerciais em lançamentos lunares, o aumento da frequência das missões e a criação de uma base lunar estimada em US$ 30 bilhões ao longo da próxima década.
O orçamento apresentado pelo governo Trump reserva cerca de US$ 175 milhões para essa futura base lunar, sinalizando apoio aos projetos defendidos por Isaacman.
Assim como na proposta anterior, o plano também prevê a eliminação gradual do foguete Space Launch System (SLS), desenvolvido pela Boeing, considerado “extremamente caro e atrasado”, além da cápsula Orion, fabricada pela Lockheed Martin e utilizada em missões lunares com quatro astronautas. A intenção é substituir esses programas por alternativas comerciais.
Outro ponto do orçamento é a redução de aproximadamente US$ 1 bilhão nos recursos destinados à Estação Espacial Internacional (ISS), cuja desativação está prevista para 2030. O governo também quer incentivar o desenvolvimento de estações espaciais comerciais.
Apesar disso, a própria Nasa informou, em março, que os recursos disponíveis para esse tipo de projeto ainda são mais limitados do que o esperado.
Da redação do 40 Graus.