Um dos maiores peixes recifais do Atlântico, o mero (Epinephelus itajara), tem encontrado no litoral norte do Espírito Santo um importante refúgio para a sua sobrevivência. A espécie, que pode atingir até 400 quilos e mais de 2,5 metros de comprimento, está criticamente ameaçada de extinção e depende diretamente da preservação de áreas costeiras para continuar existindo.
No município de Conceição da Barra, pesquisadores identificaram o maior berçário de meros do Brasil. O estudo é desenvolvido pelo Projeto Meros do Brasil, em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), por meio do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes).
A região apresenta condições ideais para a reprodução e o desenvolvimento da espécie. A combinação de manguezais e áreas estuarinas oferece abrigo natural e grande disponibilidade de alimento, criando um ambiente propício para o crescimento dos filhotes.
Desde 2014, mais de 300 meros jovens já foram registrados no local, reforçando a importância da área para a conservação da espécie.
A recuperação do mero, no entanto, não depende apenas das características naturais da região. O trabalho envolve uma rede colaborativa formada por pesquisadores, universidades e pescadores locais, que contribuem com o monitoramento e fornecem informações essenciais sobre o comportamento do animal. O projeto atua em nove estados brasileiros e acompanha cerca de 1.500 quilômetros da costa.
Apesar dos avanços, especialistas alertam que a situação da espécie ainda é delicada. A população de meros sofreu forte redução nas últimas décadas, principalmente devido à pesca predatória, o que levou à proibição da captura no Brasil. Ainda assim, a pesca ilegal e a degradação ambiental continuam sendo ameaças significativas.
Diante desse cenário, a preservação dos manguezais e o fortalecimento das ações de fiscalização são considerados fundamentais para garantir que o mero continue encontrando abrigo no litoral brasileiro e não desapareça definitivamente dos oceanos.
Fonte: BNews.